Janeiro Branco e vivência LGBT+: falar é um ato de cuidado

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Janeiro costuma ser um mês simbólico. É quando falamos de recomeços, planos e mudanças. Dentro desse contexto, o Janeiro Branco nos convida a olhar com mais atenção para a saúde mental. Mas, para a população LGBT+, esse cuidado não pode ser restrito a um mês do ano. Precisa ser contínuo e, acima de tudo, humano.

Ao longo da minha trajetória profissional e da escuta de tantas histórias, uma realidade se repete: pessoas LGBT+ chegam aos espaços de cuidado emocional carregando dores que não nasceram dentro delas. São marcas deixadas por rejeições, silêncios forçados, violências simbólicas e, muitas vezes, pela falta de pertencimento. 

A orientação sexual ou a identidade de gênero não adoecem ninguém. O que adoece é o preconceito.

Crescer sentindo que é preciso se esconder para ser aceito gera impactos profundos na saúde mental. Muitos aprendem desde cedo a controlar gestos, afetos e palavras como forma de proteção. Esse estado permanente de alerta cobra um preço alto: ansiedade, depressão, baixa autoestima e sensação de não pertencimento. Falar sobre isso é fundamental para romper o ciclo do sofrimento silencioso.

O atendimento em saúde mental só é efetivo quando parte da escuta, do respeito e da compreensão de cada história.

O Janeiro Branco nos convida, ainda, a olhar para a responsabilidade coletiva. Cuidar da saúde mental da população LGBT+ não é apenas tarefa de profissionais da saúde ou do poder público, embora as políticas públicas sejam fundamentais. É um compromisso que passa pela escola, pela família, pelos espaços de trabalho e pelas relações cotidianas. Pequenas atitudes constroem ou destroem pontes.

Respeitar nomes, pronomes e existências não é gentileza: é cuidado. Combater discursos discriminatórios é também uma forma de prevenção em saúde mental. Criar ambientes seguros salva vidas, ainda que isso nem sempre seja visível.(Foto: Slaytina/Pexels)

LUCAS ANZOLIN

Formado em Gestão de Recursos Humanos e pós-graduado em Saúde Mental, Psicoterapia, Gênero e Sexualidade. Atua há 10 anos como terapeuta, palestrante e instrutor de cursos voltados à saúde mental, práticas integrativas e complementares (PICS), autoconhecimento e bem-estar. Também é Assessor de políticas para LGBT em Jundiaí dentro do núcleo de Articulação de Direitos Humanos(Instagram: lucas_anzolin)

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