As atividades docentes estão cada vez mais difíceis de serem realizadas à medida que as características dos estudantes são impactadas pelo avanço da tecnologia e suas decorrentes alterações comportamentais. Os métodos e as metodologias não acompanham a velocidade das mudanças e o descompasso só aumenta. Os nativos digitais têm enorme dificuldade de se interessar pelos processos educativos ultrapassados, que a estrutura escolarizada insiste em utilizar, reforçando a distância entre as expectativas de aprendizagem e os resultados obtidos. Está mais difícil educar.
Zygmund Bauman filósofo e sociólogo polonês descreveu com propriedade as características dos alunos da Era Digital elencando os principais aspectos que podem ser observados nestes estudantes. Estas novas gerações estão alterando progressivamente seu modo de pensar o que exige novas formas de trabalhar o processo educativo com alunos cada vez mais dispersos e desatentos. Observou que: há uma fragmentação da atenção e uma crescente dificuldade de concentração; mudança nos hábitos de leitura preferindo textos mais curtos buscando resultados imediatos. O docente e a escola não são mais a principal fonte de acesso à informação e ao conhecimento decorrente. A busca crescente pelos meios virtuais os torna mais individualistas e provisórios, assim menos afeitos aos compartilhamentos, dificultando a tarefa docente, sobretudo aqueles não habituados às metodologias ativas e com intensa participação do estudante, com a interatividade substituindo a passividade, nas quais todo aluno é constantemente estimulado a construir seu próprio conhecimento.
Desde há muito insisto em tentar saber como as pessoas aprendem e a repassar esta questão a professores e escolas de formação docente. Sem saber como se aprende toda ação de ensinar é aleatória e, eventualmente, inconsequente. A tarefa de educar não pode ser dissociada do aprender. Se o aprendente muda, o ensinante não pode repetir as mesmas ações de sempre acreditando que em algum momento seus esforços apresentarão resultados. É fundamental o professor entender quem são seus alunos para que o trabalho docente seja minimamente efetivo. Nem sempre o repassador de conteúdos tem essa consciência.
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Como professor de tantos anos e vindo de uma família de professores sou um ardoroso defensor da classe docente, mas, do mesmo modo, proponho uma constante atualização e um profundo repensar das práticas docentes. As tecnologias avançam e os processos disruptivos são cada vez mais frequentes e intensos. Os professores e as escolas não podem se acomodar por mais adversas que sejam as condições de trabalho. A valorização da atividade docente é fundamental, assim como políticas com programas de desenvolvimento e atualização, além de uma consistente revisão dos cursos de formação.
Nunca se soube de uma nação que tenha prosperado sem bons professores.(Foto: José Cruz/Agência Brasil)

FERNANDO LEME DO PRADO
É educador
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