Futebol no meio de uma GUERRA

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Os torcedores de times diferentes, vez por outra, esquecem que um jogo de futebol é um espetáculo. Deve ser visto e praticado dentro das regras da esportividade. Assim, os times têm de aprender que ganhar ou perder faz parte de qualquer esporte, inclusive o futebol. As pessoas que vão aos estádios, vão para se divertir, para gritar, comemorar os gols de sua equipe e lamentar sua perda e os frangos do goleiro. Ninguém precisa ir armado, ou agredir um torcedor de time contrário como se fosse um inimigo. Campo de futebol não é campo de batalha. Mesmo quando as equipes representam países que estão em guerra. 

Alguns países dão o mau exemplo da perda de esportividade. Eles se recusam a jogar contra uma equipe que representa o inimigo. As entidades internacionais, responsáveis por vários campeonatos, entre eles a Copa do Mundo, fazem o que podem para impedir a politização dos jogos. Alguns países se retiram da competição, outros são excluídos por não aceitarem a máxima de que não se pode misturar esporte com política. Manifestações de jogadores antes, durante ou depois do jogo são duramente reprimidas e alguns são suspensos das entidades internacionais e excluídos de campeonatos futuros. Essa política é cada vez mais difícil de manter diante de ameaças de guerra que assolam o mundo no início do século 20.

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Os políticos e militares do alto escalão propagam que o conflito europeu é de curta duração. As maiores potências da Europa mobilizam milhões de soldados e tanto de um lado como do outro acreditam que ocorrerá um choque de grandes proporções, com a vitória de um dos lados e o fim da guerra. O assassinato do casal herdeiro do Império austro-húngaro foi o gatilho para a eclosão do conflito. O sistema de alianças provocou um conflito em cadeia. No Natal de 1914, ingleses e alemães se entrincheiram na Bélgica. Sem o consentimento dos comandos, os soldados fazem uma paz natalina. Os canhões se calam. Um soldado sai da trincheira e chuta uma bola. Outros o acompanham e, em pouco tempo, alemães e ingleses formam times e disputam uma partida de futebol. Ela termina com uma confraternização entre inimigos. Em paz voltam para as suas trincheiras. Muitos para morrer depois.(Foto: icon0 com/Pexels)

HERÓDOTO BARBEIRO

Heródoto Barbeiro é jornalista do Record News, R7 e Nova Brasil (89.7), além de autor de vários livros de sucesso, tanto destinados ao ensino de História, como para as áreas de jornalismo, mídia training e budismo. Apresentou o Roda Viva da TV Cultura e o Jornal da CBN. Mestre em História pela USP e inscrito na OAB. Acompanhe-o por seu canal no YouTube “Por dentro da Máquina”

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