
Thaiza Salviano, do Conselho Municipal de Saúde(Comus), usou a tribuna da Câmara Municipal, bem no final da sessão da última terça-feira(24), para denunciar suposta agressão de um vereador. Em nenhum momento ela citou o nome do parlamentar ou deu detalhes sobre a investida. Porém, assegurou que está tomando todas as medidas legais contra ele. Na sequência, o vereador José Dias(Republicanos) passou a discursar sobre uma moção de sua autoria. Visivelmente nervoso, e sem citar o nome de Thaiza, o parlamentar passou a se defender. E chorou na tribuna. Foi o vereador Dika Xique Xique que ao se solidarizar com Zé Dias, acabou com o mistério. O Jundiaí Agora fez contato com a conselheira, que recentemente teve de se retratar por publicações mentirosas contra o ex-superintendente do Hospital São Vicente(HSV). Ela confirmou que estava falando do parlamentar do Republicanos. A suposta agressão ocorreu no último dia 20, durante eleição de conselheiros usuários da saúde para compor o Conselho Gestor de Saúde do Conselho do Hospital São Vicente. Ela afirma que Zé Dias a empurrou e, depois, a segurou pelo braço(foto principal). A conselheira enviou relato e um vídeo para comprovar a acusação. As imagens mostram apenas o vereador agarrando o braço dela. A assessoria de imprensa de Zé Dias divulgou nota oficial na qual ele pede desculpas publicamente. A conselheira, contudo, diz que o pedido só foi feito através da nota.
VEJA ABAIXO: VÍDEO DA DISCUSSÃO OCORRIDA DEPOIS DA ELEIÇÃO; NOTA OFICIAL DO VEREADOR, RELATO DA CONSELHEIRA E O CONTEXTO SOBRE A RETRATAÇÃO DELA
CLIQUE AQUI E VEJA AS FALAS DA CONSELHEIRA, DE ZÉ DIAS E DE DIKA XIQUE XIQUE(a partir de 4h35)
Antes da denúncia, Thaíza falou sobre a violência contra as mulheres. “Nunca pensei que subiria na tribuna desta casa para falar sobre este tema. “A violência contra nós não escolhe classe social. Ela não escolhe a cor, ela não escolhe o credo. Ela simplesmente acontece. Mas quando a violência parte das pessoas que deveriam representar o povo, ela fere a própria democracia. Na última sexta-feira(20), eu fui agredida por um membro dessa casa, um vereador. A agressão que eu sofri não foi apenas física, não foi apenas verbal ou de ameaças. Foi uma tentativa de apagar a minha história e de me intimidar e de delimitar quais espaços eu, enquanto cidadã e mulher, posso ou não ocupar. Um representante público que levanta a voz e os punhos, as mãos contra uma mulher, perde completamente a legitimidade de legislar. A violência é o último refúgio da incompetência”, adiantou.
A conselheira, falando diretamente ao presidente da Câmara, vereador Edicarlos Vieira, informou que fez exame de corpo de delito e foi à delegacia. “Tenho testemunhas, estou tomando medidas jurídicas. Nos próximos dias, presidente, o senhor receberá formalmente, toda a documentação que eu tenho a apresentar, laudos periciais, uma queixa crime contra um vereador dessa casa. Vou ao Ministério Público”, explicou.

José Dias usou a tribuna na sequência. Fez a defesa da moção e depois se dirigiu às mulheres que estavam na Câmara naquele momento. “Eu digo para cada uma que vocês contam com o meu respeito. Nunca traí ninguém. Sou uma pessoa especial nessa cidade. Nunca dei ‘cano’ em ninguém. Nunca deixei de pagar um centavo. Eu sou um cliente especial. Moro há 57 anos no jardim de São Camilo. Sou respeitado lá. Criei quatro filhos e tenho 10 netos. Minha falecida esposa também era respeitada no bairro”, enfatizou. Neste ponto, o vereador começou a chorar. Ele disse ainda que nas redes sociais “99% me elogiam. O 1% restante são contrários a mim, não gostam da forma como trabalho. Mas nem por isso vou me sujar com qualquer coisa”.
Ao demonstrar apoio a Zé Dias, o vereador Dika Xique Xique acabou com as dúvidas que existiam sobre o vereador que teria supostamente agredido Thaiza. “O Zé Dias é um senhor de quase 80 anos. Ele tem seis mandatos. É respeitado na cidade toda. Eu só vejo as pessoas falarem bem dele. Você tem minha solidariedade, Zé Dias. Essa pessoa que veio aqui falar essas coisas(a conselheira)…isso já aconteceu comigo também. Já aconteceu com outros vereadores. É uma pessoa frustrada na política. Ela quer uma vaga de vereadora aqui nessa casa. Mas nós, os eleitos, tivemos de trabalhar muito por isso. Essa pessoa aí, essa conselheira(…). Eu sei do seu caráter, Zé”, concluiu.
HSV – Questionado sobre a confusão envolvendo Thaíza e o vereador José Dias, o HSV divulgou a seguinte nota: “O Hospital de Caridade São Vicente de Paulo informa que o eventual tumulto registrado ocorreu após a finalização do processo de votação para composição do Conselho Gestor. A instituição esclarece que não possui gestão sobre os fatos mencionados, que não interferiram na condução ou no resultado do processo eleitoral. O HSV reafirma seu compromisso com o respeito às instâncias de participação social e com a transparência de suas ações institucionais”.
Já a assessoria de comunicação da Prefeitura informou que até o momento não recebeu o documento redigido na reunião e, desta maneira, a Secretaria de Saúde ainda não pode se manifestar.
VEJA O RELATO DE THAIZA SALVIANO
“Na sexta-feira, dia 20, às 19 horas, aconteceu a eleição de conselheiros usuários da saúde para compor o Conselho Gestor de Saúde do Hospital São Vicente. Ao chegar, percebi a movimentação de três filhos do vereador Zé Dias, que mesmo sabendo que não poderiam ocupar vaga de conselheiros usuários, insistiam em usurpar os espaços destinados à sociedade civil. Existem regras e leis que vedam a interferência de autoridades políticas e parentes (de 1º a 3º grau), cônjuges e enteados, que não podem disputar a eleição, votar ou ocupar os segmentos ‘usuários’ e ‘trabalhador’.
Antes da eleição começar, procurei a organização e relatei estes pontos e junto de outras conselheiras de saúde solicitamos que os fatos fossem documentados. Chegamos ao consenso de seguir com a eleição em respeito a sociedade que se fazia presente e ao final transcrever as questões apontadas em documento que iria para análise jurídica e, posteriormente, seria encaminhado à Secretaria de Saúde.
No final da eleição, o pequeno grupo que havia solicitado o registro foi conversar com superintendente do hospital para pedir a transcrição do documento. Neste momento, dois filhos do vereador Zé Dias se aproximaram e de modo ríspido questionaram o superintendente. Foi explicado superficialmente que tratava-se de uma manifestação de apontamentos que seriam transcritos.
Neste momento fui acusada de perseguição e ameaçada de processos. Um dos filhos do parlamentar me chamou “mulherzinha imunda” e disse que iria “calar minha boca de vez”. Também afirmou que iria me levar “pras ideias na favela do São Camilo”. Respondi que eles nem deveriam estar na reunião. Zé Dias se aproximou de mim aos gritos e batendo no peito me deu um empurrão. Não vi se o empurrão foi com as mãos ou ombros. Quase caí perto do palco. Um conselheiro me segurou a tempo. Um outro conselheiro passou a gravar a confusão. Zé Dias se aproximou novamente de mim e me puxou pelo braço(como mostra o vídeo e a foto principal). Um terceiro filho do Zé Dias também participou da discussão e fez ameaças e ofensas contra mim
Os filhos do parlamentar me atacam dentro do conselho do HSV desde que os denunciei ao Ministério Público. Eles acabaram sendo expulsos do Núcleo Integrado de Saúde(NIS). Desde então sofro perseguições apenas por exercer minha cidadania. Existem inúmeras atas do conselho do hospital que demonstram isso”.
A NOTA OFICIAL DO VEREADOR JOSÉ DIAS
Questionada, a assessoria de imprensa do parlamentar acusado de suposta agressão divulgou a seguinte nota: “A eleição do Conselho Gestor do Hospital São Vicente, no Parque da Uva, momento que deveria ser marcado exclusivamente pelo exercício democrático e pelo diálogo em torno de um tema tão importante para a saúde pública, acabou sendo prejudicado por uma discussão acalorada.
Ao final da situação, toquei no braço da conselheira ao tentar encerrar a conversa. Caso ela tenha se sentido ofendida, peço desculpas publicamente e reafirmo meu absoluto respeito a todas as pessoas, especialmente às mulheres, bem como meu compromisso com o diálogo, a convivência democrática e a construção coletiva de soluções para a cidade.
Tenho 30 anos de vida pública, seis mandatos exercidos com dedicação à população, e resido no jardim São Camilo desde 1968, no mesmo endereço. Em toda trajetória, nunca houve qualquer ato que desabone a minha conduta, e jamais teria a intenção de praticar qualquer atitude agressiva contra a conselheira.
Da mesma forma, acredito que o respeito deve ser sempre mútuo, inclusive nas divergências. A vida pública exige equilíbrio, responsabilidade e escuta — valores que continuam guiando minha atuação. Reafirmo meu compromisso com o bem público e sigo à disposição para trabalhar por uma saúde cada vez melhor para Jundiaí, com debates firmes, porém respeitosos”.
POR DETERMINAÇÃO DA JUSTIÇA, THAÍZA TEVE DE SE RETRATAR POR PUBLICAÇÕES INVERÍDICAS CONTRA EX-SUPERINTENDENTE DO HSV
Quando o vereador Dika Xique-Xique afirmou, durante a sessão da última terça, que a conselheira foi à Câmara ‘falar coisas’, ele estava se referindo às acusações da conselheira contra o ex-superintendente do Hospital São Vicente. O caso foi parar na justiça que determinou a retratação dela por divulgar informações mentirosas sobre Matheus Siqueira Gomes. Na sessão da Câmara posterior à retratação, outro vereador foi à tribuna e celebrou a decisão da justiça. Ele classificou a decisão como a ‘vitória da verdade’. Neste caso, ela errou e teve de se retratar. Contudo, percebia-se que as participações dela na tribuna livre causavam mal-estar entre alguns parlamentares.
A retratação da conselheira aconteceu no dia 19 de novembro de 2025, quando publicou nas redes sociais que “por força de determinação judicial acordada em ação penal (queixa-crime), venho me retratar publicamente, para restabelecer a verdade sobre a gestão do sr. Matheus Siqueira Gomes à frente do HSVP. Estou me retratando publicamente porque divulguei fatos inverídicos nas redes sociais e no plenário da Câmara Municipal de Jundiaí, no dia 11 de fevereiro último, os quais atingiram a honra e a reputação de Matheus, que ocupou o cargo de superintendente da instituição de saúde entre janeiro de 2017 e março de 2025”.
A conselheira prossegue na retratação: “ao contrário do que afirmei, Matheus jamais foi acusado – ou muito menos condenado – por ato de improbidade administrativa, não tendo respondido a qualquer processo judicial ou investigações envolvendo fatos relacionados à sua gestão no Hospital São Vicente, na Pró-Saúde em Campo Limpo Paulista, ou em qualquer outra instituição em que tenha atuado. Reconheço que excedi o limite da lei contra o sr. Matheus, sendo que ele tem reputação ilibada e jamais foi acusado ou processado por quaisquer atos, de modo que reafirmo, aqui, o meu pedido público de desculpas e retratação pelos fatos por mim divulgados”.(atualizada às 10h35 de 1º/03/2026)
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