Amigos do ATLETISMO

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Nos anos 1980, quando era diretor da Escola Professor Luiz Rosa, montamos uma equipe de atletismo com nossos alunos dos cursos técnicos, orientados pelos professores de Educação Física. Este grupo participou de diversos eventos esportivos com grandes resultados, principalmente nas competições escolares. Na época era, e ainda sou, grande entusiasta do atletismo uma modalidade esportiva maravilhosa, embora tão desvalorizada no cenário esportivo brasileiro. Participava, inclusive, das provas de rua com o grupo, naquela época. Viajando nas condições possíveis.

Há poucas semanas me encontrei com parte deste grupo para dividirmos algumas pizzas. Um encontro com sessentões que fizeram parte da equipe de atletismo há mais de 40 anos. Todos com suas famílias, filhos e até netos, Alguns vieram de longe e o interessante é que à medida que chegavam voltavam a ter menos de 20 anos, faziam e se lembravam das mesmas brincadeiras do tempo de escola. Eram tantas histórias e casos para contar que muitos outros encontros não seriam suficientes. Se inicialmente o grupo aparentava timidez em pouquíssimo tempo era preciso esperar a vez para falar. Um elemento marcante chamou a atenção: só se lembraram dos celulares na hora das fotografias.

Encontros e reencontros são fundamentais para que as memórias do que fizemos ao longo das nossas vidas não desapareçam. As pessoas com as quais convivemos e nos deixaram boas lembranças precisam estar por perto, ainda que eventualmente, para dar a dimensão da importância desses relacionamentos. Imersos nas tarefas do nosso cotidiano nem sempre colocamos nas nossas prioridades rever pessoas e seguimos preocupados com irrelevâncias que podem, perfeitamente, serem postergadas. Acomodados em nossas rotinas nem sempre temos disposição para aceitar mudanças ainda que não nos tragam nenhum desconforto, apenas por sair de um roteiro que nos mesmos escrevemos.

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Estes “jovens” que já foram atletas, talvez nem façam mais nenhum tipo de exercício, caminhadas no máximo ou então academia só para manterem a forma ou cuidarem das inevitáveis restrições que a idade nos trás. Entretanto no nosso encontro ninguém estava preocupado com isso e as lembranças não eram dos treinos nem das provas disputadas, mas das situações que passaram juntos e das imagens que isto provocava. Passamos o tempo contando casos e rememorando “perrengues” entremeados com as coisas que estavam fazendo recentemente. Uma promessa de novos encontros encerrou a conversa e no grupo de whatsapp encontramos a intenção de participar do próximo manifesta pelos que não compareceram.

Voltei para casa contente, com a impressão de que valeu o reencontro de pessoas que nos dias atuais não tem nenhum relacionamento, não se vêem nem sabem das vidas uns dos outros, unidos pela memória daquilo que fizeram juntas e que pode ter mudado o rumo de suas vidas.(Foto: Adi Goldstein/Unplash) 

FERNANDO LEME DO PRADO

É educador

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