A tirania da SECRETARIA

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Muitas vezes sou consultado sobre os processos de transferência de uma escola para outra, desde as ocorrências em uma mesma cidade até de diferentes localidades, estados e mesmo do exterior. A preocupação central sempre é assegurar àquele que se transfere uma continuidade de estudos de modo a preservar uma sequência no processo pedagógico, mas a tirania da secretaria da escola não deixa.

As instituições que recebem o transferido têm que garantir, para sua segurança, que o processo siga as normas específicas do sistema ao qual estão vinculadas e o mais comum é comparar nomes de disciplinas e as suas respectivas cargas horárias que, a rigor, não oferecem muita informação sobre os conhecimentos que o transferido tem. Esta prática é simples de ser executada, qualquer auxiliar de secretaria pode fazer, e tem baixíssimo custo para a instituição de ensino e assim é  quase sempre praticado independente dos resultados satisfatórios ou não da transferência pretendida.

O ideal seria verificar o que aquele que se transfere sabe e comparar este conhecimento com aqueles que estudantes de mesmo nível apresentam. A legislação educacional brasileira dispõe sobre o aproveitamento de estudos inclusive sobre os conhecimentos construídos fora da escola, mas isto raramente é feito assim como nas transferências, pois é muito trabalhoso e demanda tempo e pessoal qualificado para a sua execução. Assim é mais cômodo e menos arriscado usar um critério extremamente objetivo comparando apenas disciplinas e cargas horárias.

Mais tempo na escola nem sempre significa mais aprendizagem, assim como, mais horas na carga horária não representa necessariamente maiores conhecimentos. Observe-se que nem estou me referindo aos aspectos metodológicos ou ao desenvolvimento de competências sócioemocionais. Estou tratando apenas dos conteúdos. Estes, não se pode esquecer, representam apenas uma relação de informações propostas que podem ser modificadas ou pouco representar nesta análise.

A legislação brasileira é prodiga em criar regras que muitas vezes mais atrapalham do que ajudam, eventualmente editadas por burocratas afastados da realidade, mas isto não é privilégio tupiniquim. Atividades educacionais exercidas no exterior por instituições brasileiras esbarram em situações nas quais o regramento impede o desenvolvimento das propostas pedagógicas. Lá, como cá, quem manda é a secretaria da escola e não o processo educativo.

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A educação profissional tem sido, no mundo todo, objeto de grandes estudos e propostas, pois representa um atendimento aos anseios dos que pretendem ingressar no mundo do trabalho e a necessidade das empresas por pessoal qualificado, nesta contínua e veloz mudança determinada pela tecnologia. Entretanto, nem sempre alcançam seus objetivos pelo excesso de regulação e o despreparo das instituições para promover uma educação com foco na aprendizagem, valorizando métodos e propostas inovadoras.(Foto: Luís Gustavo Machado/educacao.rs.gov.br)

FERNANDO LEME DO PRADO

É educador

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