Todo partido tem um líder. Ele pode chegar ao topo por decisão da maioria dos filiados ou por meio da força. A história está cheia de exemplos de homens que são idolatrados como verdadeiros deuses. Não se sabe se a figura do líder é ou não mais forte do que o próprio partido que ele domina. Uma de suas características é impedir que apareça alguém que possa contestar sua liderança e substituí-lo no poder. O líder não tem data para deixar o comando e não há sucessor em vista. Por isso, caso morra, levará consigo para o cemitério toda a estrutura partidária. Entre os exemplos mais conhecidos estão o Führer, Adolf Hitler, que se suicidou próximo ao final da Segunda Guerra, e o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, o Partido Nazista. Outro exemplo é o Duce, Benito Mussolini, que arrastou o seu Partido Nacional Fascista à extinção.
Há partidos que têm líderes poderosos e carismáticos que se preocupam com sua sucessão para manter a sobrevivência do partido e de sua ideologia. Vladimir Lênin, líder da revolução comunista na Rússia, não impediu a formação de nova liderança no Partido Operário Social-Democrata Russo, da ex-União Soviética. Ao morrer, assumiu Josef Stálin, ditador que tentou impedir novas lideranças. Outro exemplo é o democrata Winston Churchill, contemporâneo de outros líderes e peça-chave no destino da Segunda Guerra. É membro do Partido Conservador amplamente derrotado na eleição de 1945. Renuncia e assume o governo a oposição trabalhista de Clement Attlee. Cai o líder, mas o partido sobrevive.
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O Partido Trabalhista Brasileiro segue o exemplo de um único líder e sem sucessor em vista. Os novos líderes são relegados a um segundo turno e o líder trabalhista concentra todo o poder em suas mãos. O poder do Estado e do partido. Novas lideranças são asfixiadas ou não sobrevivem ao carisma do líder. Getúlio Vargas é o principal construtor do Partido Trabalhista Brasileiro, o PTB, quando o Brasil volta à democracia em 1946. Vargas, ex-ditador durante o período do Estado Novo, se apresenta como candidato à presidência pelo PTB, se elege e governa até 1954, quando se suicida. O partido não tem líder para suceder Vargas. Está condenado ao desaparecimento político. Não é o único exemplo na história política do Brasil.(Foto: Mahdi Rezaei/Unsplash)

HERÓDOTO BARBEIRO
Heródoto Barbeiro é jornalista do Record News, R7 e Nova Brasil (89.7), além de autor de vários livros de sucesso, tanto destinados ao ensino de História, como para as áreas de jornalismo, mídia training e budismo. Apresentou o Roda Viva da TV Cultura e o Jornal da CBN. Mestre em História pela USP e inscrito na OAB. Acompanhe-o por seu canal no YouTube “Por dentro da Máquina”
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