Quando penso no Dia dos Namorados, não penso apenas em flores, presentes ou declarações. Penso em algo muito mais profundo: a coragem de amar e de ser amado exatamente como se é. Para muitas pessoas, um relacionamento é visto como algo natural. Mas para muitos casais LGBT+, amar ainda pode significar enfrentar olhares, julgamentos, preconceitos e até mesmo o medo. Por isso, talvez o amor tenha me ensinado uma das maiores lições da vida: aquilo que é verdadeiro sempre encontra uma forma de existir.
Olho para a foto deste texto e não vejo apenas duas pessoas. Vejo uma história. Vejo encontros, desafios, aprendizados, risadas compartilhadas, planos construídos e a beleza dos pequenos momentos que, no fim das contas, são os que realmente sustentam uma relação. Vejo o carinho expresso nos gestos simples. No sorriso que acolhe. Na presença que tranquiliza. Na certeza silenciosa de que alguém escolhe caminhar ao seu lado mesmo quando o caminho não é fácil.
Durante muito tempo, muitas pessoas LGBT+ cresceram acreditando que o amor não era para elas. Faltavam referências. Faltavam histórias com finais felizes. Faltavam exemplos de afeto vivido livremente. Havia quem dissesse que nossos relacionamentos eram menos legítimos, menos importantes ou menos dignos de reconhecimento.
Mas o amor nunca se deixou limitar. Ele floresceu nos encontros improváveis, nas amizades que se transformaram em parceria, nos sonhos construídos em conjunto, nas famílias formadas pelo afeto e na coragem de permanecer quando o mundo dizia para desistir.
Amar alguém é permitir que outra pessoa conheça nossas partes mais bonitas, mas também nossas vulnerabilidades. É dividir medos, conquistas, inseguranças e esperanças. É encontrar abrigo em um abraço depois de um dia difícil. É saber que existe alguém que celebra suas vitórias como se fossem suas próprias.
Talvez seja por isso que eu acredite que o amor não é apenas um sentimento. O amor é uma escolha diária. É a decisão de cuidar, respeitar, ouvir, compreender e permanecer. É construir um lar que não depende de paredes, mas da presença genuína de quem caminha ao nosso lado.
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Neste Dia dos Namorados, desejo que cada pessoa possa viver seus afetos com liberdade e dignidade. Que ninguém precise esconder a própria felicidade para ser aceito. Que nenhum casal precise justificar o seu amor para merecer respeito. Porque o amor verdadeiro não se mede pelo gênero, pela orientação sexual ou pelos rótulos que a sociedade tenta impor. O amor se mede pela capacidade de transformar vidas, curar feridas e fazer com que alguém se sinta em casa mesmo longe de qualquer lugar.
E, no fim, talvez essa seja a mais bonita definição de amar: encontrar em outra pessoa um lugar seguro para existir por inteiro. Feliz Dia dos Namorados a todos que seguem acreditando que o amor, em todas as suas formas, continua sendo uma das maiores forças capazes de transformar o mundo.

LUCAS ANZOLIN
Formado em Gestão de Recursos Humanos e pós-graduado em Saúde Mental, Psicoterapia, Gênero e Sexualidade. Atua há 10 anos como terapeuta, palestrante e instrutor de cursos voltados à saúde mental, práticas integrativas e complementares (PICS), autoconhecimento e bem-estar. Também é Assessor de políticas para LGBT em Jundiaí dentro do núcleo de Articulação de Direitos Humanos(Instagram: lucas_anzolin)
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