O preço da PRODUTIVIDADE

preço

Vivemos em uma sociedade que aplaude quem está sempre ocupado. Quem responde mensagens fora do horário. Quem trabalha nas férias. Quem transforma finais de semana em dias úteis. Quem se orgulha de dizer que “não tem tempo”. Por muito tempo, confundimos dedicação com disponibilidade absoluta. E, sem perceber, fomos entregando ao trabalho o espaço que antes pertencia à nossa saúde, aos nossos relacionamentos, aos nossos sonhos e, principalmente, a nós mesmos. A produtividade exagerada também cobra seu preço.

A grande pergunta é: por que demoramos tanto para perceber isso? Talvez porque os resultados continuem aparecendo por um tempo. A carreira cresce, o salário melhora, os projetos avançam. Tudo parece estar funcionando. Até que o corpo começa a falar. O cansaço deixa de ser passageiro. O sono já não recupera. A ansiedade se torna rotina. O lazer vira culpa. Os exames mudam. A paciência diminui. A criatividade desaparece. E aquilo que parecia ser apenas “uma fase” revela que, há muito tempo, estamos funcionando abaixo da nossa melhor capacidade.

Existe uma ironia nisso tudo. Na tentativa de sermos mais produtivos, fazemos exatamente o contrário do que a produtividade exige, porque eficiência não nasce apenas de horas trabalhadas. Ela nasce de clareza mental, energia, saúde física, equilíbrio emocional e capacidade de tomar boas decisões. Um profissional esgotado pode até permanecer ocupado, mas dificilmente permanecerá eficiente. As melhores ideias não surgem quando estamos no limite. Elas aparecem quando existe espaço para pensar. As melhores decisões não são tomadas sob exaustão constante; elas exigem lucidez.

É nesse momento que uma pergunta se torna inevitável: Estamos a serviço de quem? Dos prazos? Das metas? Dos indicadores? Da necessidade constante de provar valor? Da expectativa de estarmos sempre disponíveis? Sabemos o preço que iremos pagar em nome da produtividade extrema?

Na perspectiva das Constelações Familiares e Organizacionais desenvolvidas por Bert Hellinger, cada elemento de um sistema precisa ocupar o seu devido lugar para que haja equilíbrio. Quando algo assume um espaço maior do que lhe corresponde, todo o sistema sofre as consequências. Talvez essa reflexão também faça sentido para a nossa vida. O trabalho tem o seu lugar. A família tem o seu. A saúde também. O descanso. Os relacionamentos. E nós mesmos.

LEIA OUTROS ARTIGOS DE ROBERTA TEIXEIRA PERES CLICANDO AQUI

Quando o trabalho deixa de ser uma parte da vida e passa a ocupar todos os espaços, perdemos a ordem. Na tentativa de atender às exigências do mundo, deixamos de servir à única pessoa capaz de sustentar tudo isso: nós mesmos. Os melhores líderes não inspiram porque trabalham vinte horas por dia. Inspiram porque conseguem sustentar resultados sem destruir a própria vida no caminho. Cuidar de si não é egoísmo. É estratégia. É responsabilidade.

É compreender que o principal ativo de qualquer carreira não é o cargo, o salário ou a empresa. É a pessoa que ocupa esse lugar. Quando negligenciamos nossa saúde, nosso descanso, nossa alimentação, nossos vínculos e nossos momentos de pausa, estamos comprometendo justamente aquilo que nos torna capazes de produzir. Nenhuma empresa consegue substituir facilmente um profissional experiente. Mas nenhum profissional consegue substituir a própria saúde. É um preço muito alto a pagar. Talvez seja hora de redefinirmos o significado de produtividade.(Foto: Nothing Ahead/Pexels)

ROBERTA TEIXEIRA PERES

Gestora, terapeuta holística, especialista em desenvolvimento humano, Eneagrama. pós-graduada em neuromarketing e PNL Aplicada em gestão de pessoas.

VEJA TAMBÉM

PUBLICIDADE LEGAL É NO JUNDIAÍ AGORA

ACESSE O FACEBOOK DO JUNDIAÍ AGORA: NOTÍCIAS, DIVERSÃO E PROMOÇÕES