Você já reparou quantas câmeras existem ao seu redor? No semáforo da esquina, no banco, no condomínio, nas lojas, no seu próprio celular. Elas estão em toda parte — e a câmera é o dispositivo de Internet das Coisas (IoT) mais difundido do planeta. Internet das Coisas é a rede que conecta objetos físicos à internet, permitindo que coletem dados, se comuniquem e tomem decisões inteligentes. E nenhum dispositivo representa melhor essa revolução do que as câmeras inteligentes.
Segundo a Transforma Insights, consultoria global especializada em IoT, o CFTV(circuito fechado de televisão) é uma das aplicações mais relevantes em cidades inteligentes no mundo. No Brasil, o mercado de segurança eletrônica deve faturar mais de R$ 18 bilhões em 2026, com crescimento anual de 12%, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese). Só o segmento de câmeras de vigilância movimentou cerca de US$ 1,2 bilhão em 2025 no país.
O maior exemplo brasileiro é o programa Smart Sampa, da Prefeitura de São Paulo, que instalou 25 mil câmeras inteligentes em pontos estratégicos da cidade, integradas com reconhecimento facial e leitura de placas. O sistema permite localizar veículos roubados e foragidos em tempo real. Em Jundiaí, o Centro de Operações Integradas usa câmeras conectadas para monitorar trânsito, detectar acidentes e coordenar o policiamento.
Câmeras residenciais como Ring, Google Nest, Intelbras e Eufy viraram febre. Você abre o celular e vê quem está na porta, recebe alerta de movimento e pode falar com o entregador sem estar em casa. Em condomínios, sistemas com reconhecimento de placas liberam a entrada automaticamente para moradores cadastrados.
No comércio, as câmeras IoT vão muito além da vigilância. Elas contam quantas pessoas entram na loja, medem o tempo de permanência nos corredores e identificam quais produtos são mais manuseados. Um supermercado pode saber que o corredor de hortifruti tem mais movimento às 10h e ajustar a reposição. Na indústria, câmeras com visão computacional inspecionam peças na linha de montagem com precisão superior ao olho humano.
A polícia utiliza câmeras com reconhecimento facial em vias movimentadas para localizar foragidos. Guardas municipais usam câmeras corporais que transmitem ao vivo para a central. Em estádios e grandes eventos, sistemas com análise de vídeo em tempo real detectam movimentos suspeitos e ajudam a prevenir tumultos.
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Além disso, as câmeras estão integradas ao nosso corpo e rotina: o celular tem câmera frontal e traseira, o notebook tem câmera e até a campainha de casa evoluiu. Todas elas, quando conectadas, são dispositivos IoT ativos.
Com tantas câmeras, surge uma questão importante: até onde vai o monitoramento? A Transforma Insights destaca que o gerenciamento inteligente de dados é um dos pilares das cidades inteligentes — e isso inclui saber coletar, armazenar e usar as imagens com responsabilidade. A ABINC defende que a tecnologia seja usada com transparência e dentro da lei.
A câmera conectada é o olho da IoT. E ela está cada vez mais inteligente, mais rápida e mais presente. Saber usar esse olhar a nosso favor é o grande desafio e a grande oportunidade do nosso tempo.

ROGÉRIO MOREIRA
É presidente da ABINC(Associação Brasileira da Internet das Coisas). É engenheiro eletrônico e mestre em administração de empresas. Atua profissionalmente na área de dispositivos semicondutores pela empresa americana Microchip Technology. É professor universitário da UniAnchieta em Jundiaí. Nasceu na cidade de São Paulo, e mora em Jundiaí há 33 anos.
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