O FILHO do presidente

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As denúncias de corrupção aprofundam a crise que atinge o presidente da República. Não é a primeira vez na história do país que um parente do presidente se envolve em casos suspeitos de corrupção. Desta vez é o filho dele. A imprensa chapa-branca sempre se omitiu em dar divulgação a esses casos, muitas vezes por apoiar abertamente o chefe do Executivo, outras pelas generosas verbas publicitárias vindas do palácio do governo. Repete-se na presidência da República uma prática comum nos estados e prefeituras espalhadas por todo o Brasil, ou seja, o favorecimento com verbas ou manipulação de concorrências públicas gordurosas. Poucos se importam com as oligarquias familiares impregnadas no poder, haja vista ser uma prática que vem desde o primeiro governo republicano. A população está mais preocupada em obter rendimentos para manter a família. As querelas políticas ficam segregadas a setores exíguos da população brasileira.

Ninguém espera que a oposição cresça, uma vez que o presidente é um líder carismático e que já ocupou o Poder Executivo anteriormente. Contudo, nesse novo mandato há uma polarização entre a esquerda e a direita. O presidente tem o apoio da esquerda, uma vez que é favorável a uma maior participação do Estado na economia, com a criação de estatais para atuar em setores considerados estratégicos para o Brasil, como petróleo e aço. Além disso, se identifica com as classes populares e defende o fortalecimento dos sindicatos e programas sociais governamentais para os pobres do país. Ele é idoso, sua foto está espalhada em todas as repartições públicas e o slogan “deixa o velhinho trabalhar” até virou hit, gravado por um ícone da música popular brasileira. 

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A crise política vivida pelo presidente da República se aprofunda com as denúncias publicadas na mídia sobre o seu filho. Maneco Vargas está envolvido em graves problemas financeiros e recorre ao chefe da guarda pessoal de Getúlio para obter empréstimos. Gregório Fortunato, homem de confiança do presidente e que tem forte influência na máquina governamental, recorre ao banco que tem a diretoria toda indicada politicamente. Obtém um empréstimo privilegiado no Banco do Brasil e simula a compra de duas fazendas do filho de Getúlio no Rio Grande do Sul. O ex-ministro do Trabalho do governo, João Goulart, se apresenta como fiador do empréstimo. O presidente está em profunda depressão e ameaçado de perder o poder depois que Gregório se envolve com o atentado contra o líder opositor, Carlos Lacerda, e que resulta na morte do major Vaz, da FAB. Uma semana depois, em 24 de agosto de 1954, diante do turbilhão que envolve o Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, Vargas pai se suicida aos 72 anos. Cumpre a promessa de que só sairia do governo morto.(Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

HERÓDOTO BARBEIRO

Heródoto Barbeiro é jornalista do Record News, R7 e Nova Brasil (89.7), além de autor de vários livros de sucesso, tanto destinados ao ensino de História, como para as áreas de jornalismo, mídia training e budismo. Apresentou o Roda Viva da TV Cultura e o Jornal da CBN. Mestre em História pela USP e inscrito na OAB. Acompanhe-o por seu canal no YouTube “Por dentro da Máquina” 

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