A beleza é plural. Cada mulher carrega consigo vivências, cultura, origem e uma maneira própria de ser e de se apresentar ao mundo. É justamente essa pluralidade que torna tão importante falar sobre representatividade. Além de tudo, o belo nunca será universal, pois reflete os padrões de uma sociedade. Não estamos falando de aparência, mas de marcas sociais que determinam quem é notado. Ainda assim, sofremos forte influência da mídia, que muitas vezes nos impõe modelos e nos conduz a uma verdadeira ditadura da homogeneização. O concurso Miss Pérola Negra vai muito além da estética. Ele também escancara condutas que foram historicamente construídas e nos convida a refletir sobre o quanto ideologias e estereótipos interferiram na maneira como determinados corpos foram valorizados ou excluídos.
As teorias raciais e eugenistas que atravessaram décadas ajudaram a construir a ideia de uma “mulher ideal”, aproximando o padrão de determinados traços, tons de pele e características físicas, enquanto outras formas eram desconsideradas. É nesse contexto que o concurso ganha um significado especial: a eleita representará a comunidade e abrirá caminhos para outras mulheres.
Em Jundiaí, a história do concurso está ligada ao Clube Beneficente Cultural Recreativo Jundiaiense 28 de Setembro, instituição tradicional da comunidade negra e parte fundamental da memória cultural da cidade. Nos registros, Janaína Aisha Felisaldo aparece como Miss Pérola Negra em 2011, sendo sucedida, em 2013, por Elisabety Naiara da Silva Costa. Em 2025, a diferença entre os valores da premiação da Miss Pérola Negra e da Rainha da Uva foi questionada pelo movimento negro e pela Comissão de Igualdade Racial da OAB de Jundiaí. A pressão resultou na equiparação. A eleita foi Andreina Gomes(foto).
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Mais do que corrigir uma diferença, a mobilização mostrou a importância de não aceitar que desigualdades sejam tratadas como algo normal ou inevitável. Quando nos posicionamos, também podemos transformar o que parece estar estabelecido. E agora, novas mulheres podem fazer parte desse momento. Venham ocupar esse lugar com orgulho, sabendo que essa coroa representa uma conquista, mas também a possibilidade de transformação — na vida de quem a recebe, na vida de quem se reconhece nela e na sociedade que passa a enxergar novas formas de beleza e representação.

ROSEMARY DA SILVA
Conferencista Nacional na Promoção de Políticas Públicas Étnico-Raciais. Formada em Direito pela Unianchieta, atua na Educação Infantil com o Projeto Igualdade Racial Nas Escolas. Escritora premiada na categoria literatura infantil com o livro “Os Olhos Azuis Do Menino de Bantu”. Acompanhe seu trabalho pelo Instagram @rosemaryda96.
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