Menos PROFESSORES

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À medida que precisamos cada vez mais de profissionais qualificados em todas as áreas um fenômeno inverso vem ocorrendo no universo escolarizado, pois temos e parece que teremos cada vez menos professores. Esta é uma situação que merece atenção imediata. A possibilidade de nosso país não dispor, nesta próxima década, de um número de professores para atender à demanda das escolas é absolutamente real. Trata-se de uma questão estrutural que pode comprometer todo o funcionamento do sistema educacional.

A combinação entre aposentadorias, envelhecimento do corpo docente, pouco interesse dos jovens pela carreira e dificuldades de atração e permanência na profissão pode produzir déficits significativos, sobretudos em algumas áreas do conhecimento. É um processo silencioso e gradativo. Observe-se que a formação de um professor não ocorre em curto prazo. É necessário atrair mais candidatos para as licenciaturas ao mesmo tempo em que urge promover mudanças profundas nas suas estruturações.

O risco imediato para o processo educativo está em completar as demandas do quadro docente com profissionais sem a formação adequada o que ocorre com freqüência nos cursos de formação profissional. Há anos destacamos que o maior gargalo para a expansão da educação profissional e tecnológica está na limitação do número de docentes para estes cursos. Seguidamente as vagas são preenchidas por pessoas com outras formações sem a necessária capacitação pedagógica.

Assim, discutir hoje a possibilidade de uma insuficiência de professores nos próximos anos significa reconhecer que as evidências são alarmantes, sobretudo em função do tempo necessário para formar e reter bons professores. É imperativo construir mecanismos para antecipar medidas que modifiquem o cenário que se observa hoje com escassez de novos professores, com o expressivo aumento da recontratação de professores aposentados, a desvalorização profissional, inclusive salarial, que afasta os jovens além das deficiências das anacrônicas escolas de formação.

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Não basta teorizar sobre a importância da educação no cenário nacional, pois é um consenso universal. O que se poderia perguntar então é porque a carreira docente não é atrativa e há um alto nível de insatisfação entre aqueles que a escolhem. Muitas evidências podem ser notadas sobre como a atividade não recebe incentivos ou não é reconhecida. Raramente os melhores resultados do ENEM querem ser professores. Dificilmente um profissional de outras áreas se dispõe a fazer cursos de formação pedagógica para exercer o magistério, sobretudo com as exigências existentes.

Se os mais velhos estão saindo e os mais jovens não estão entrando em algum momento, ao que tudo indica em um futuro próximo, teremos menos professores do que necessitamos com consequências desastrosas para as gerações futuras. Parece previsão apocalíptica, mas as evidências são mais reais a cada ano. Quem sabe a minha capacidade de observação esteja apontando para a direção errada, ou então…

FERNANDO LEME DO PRADO

É educador

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