HQs, X-Men e ‘micos’: A Mística caiu e dessa vez não fomos nós!

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Que sou fissurado por HQs, não é novidade. Mesmo com os meus recém-completados 55 anos, continuo vendo, principalmente, filmes e desenhos da Marvel. Gibi, que comprei aos montes desde quando comecei a trabalhar, em 1987, parei de adquirir por causa do custo, mas sempre dou aquela olhadinha nas resenhas e nos resumos.

Imagine que, na época em que trabalhei como secretário executivo do então prefeito Pedro Bigardi (PCdoB), no início da tarde de 15 de maio de 2014, você recebe uma ligação. E sou de uma época em que as pessoas usavam aparelho de mesa para conversar com outras.

Do outro lado estava o saudoso jornalista Cristiano Pierobon, que, por um equívoco lá de cima, foi convocado antes do tempo, em 11 de julho de 2022. Ele era ex-presidente da extinta Rede Paulista de TV, em Jundiaí.

Mesmo pertencendo a grupos políticos distintos, nosso relacionamento sempre foi profissional e cordial, pois, assim como eu, que aprendi com o professor e mestre em jornalismo Nilton Pavin, ele sabia que a gente vendia o nosso trabalho, e não a nossa consciência.

— Édi, tudo bom? O que você vai fazer hoje à noite?

— Tentar dormir e rir, pois tenho insônias que, às vezes, me deixam acordado de 48 a 72 horas.

— Você é fã de X-Men?

— Com toda certeza! — respondi, já empolgado, pois tinha lido rumores de que atores do filme estariam em São Paulo naquela semana.

— Então você ganhou ingresso para o início da turnê X-Men X-Perience, que, em São Paulo, vai ser no Cinépolis JK Iguatemi, hoje. O filme da turnê era “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido”.

Soltei um “Ahhhh!”, pois, naquele período, eu não pegava estrada, ainda mais à noite. Tenho o pé grande, pesado e o carro corre muito. Kkkkk.

Ele falou que tinha três ingressos e resolveu me passar o convite. Pensou também na minha irmã que a vida trouxe, a Patrícia Bigardi.

O detalhe é que ela também não dirigia em estrada naquela época. Somos gêmeos até nisso.

Mas, como havia um terceiro convite, virei para a Robéria Eichenberger, também secretária do Gabinete da PMJ, e ela topou.

Agradeci, os convites chegaram e, às 19h30, saímos para São Paulo.

A “paiaçada” começou na saída do condomínio, pois eu e Robéria éramos vizinhos de torres e iríamos no carro dela. Embarco, saio do Ravenna e ela dispara:

— Édinho, segura o volante que vou me maquiar.

Eu:

— O quêêêêêê? Nem ferrando!

Sou extremamente medroso para essas manobras de “Velozes e Furiosos”. Mas, como mulher moderna e decidida, a cada semáforo até a casa da Patrícia, ela finalizava um olho, a boca e assim foi.

Praticamente uma operação de maquiagem em movimento. Enquanto eu exercia meu papel de motorista auxiliar em estado de alerta máximo, ela fazia o trabalho de beleza com a precisão de quem estava fechando uma matéria para a capa.

Pegamos a Paty e seguimos para o JK. Claro que estávamos atrasados, mas não sei que caminhos a Robéria fez que conseguimos cumprir o percurso em 45 minutos.

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O shopping JK é lindo, mas dá até medo de olhar e ter de pagar. Passamos batidos pelas lojas, direto para o cinema.

A exibição aconteceu em sete das oito salas do cinema e foi simultânea. Nos corredores das salas, montaram uma exposição com cartazes e manequins dos personagens, além de um serviço de bordo: pipoca, refrigerante e um bendito nacho com queijo cheddar.

Não estava bom, não. E tivemos experiências gástricas não muito legais no dia seguinte. Mas isso é assunto para outra reportagem investigativa.

A dinâmica compreendia visitar a exposição e depois ir para a sala. Os celulares foram lacrados para evitar spoilers sobre a turnê.

Eis que olhamos e havia um manequim em tamanho natural da personagem Mística, a Raven Darkhölme, em uma plataforma redonda, com ela presa no centro.

Eu e a Patrícia fizemos fotos comportados, sem apoiar em nada, respeitando o espaço, enquanto a Robéria ficou de fotógrafa.

Do nada, entre os convidados, surgem dois americanos que não falavam português. A Paty salvou a interação e eles queriam fazer foto também.

Mas aí pensei: se eu e Patrícia não estamos envolvidos nos desastres, a gente participa de alguma maneira.

O bendito do americano, para fazer a foto mais bonita, apoiou o pé na plataforma, que era de acrílico. Mas apoiou com vontade, como se fosse uma mureta do píer de Santos.

Lógico que quebrou a plataforma!

Fez aquele barulhão, e o manequim da Mística foi parar nos braços do americano.

Eu e a Paty não sabíamos se ríamos, ajudávamos, colocávamos o celular deles no chão ou simplesmente corríamos.

Foi aquele alvoroço. E a Robéria? Conhecendo nós dois, sumiu de vista, pois achou que a gente tinha bagunçado tudo. Mas, dessa vez, não fomos nós!

O rapaz ficou mais azul do que a própria Mística de tanta vergonha, e nós, que poucas vezes temos a oportunidade de acolher alguém que passou por um constrangimento cômico, fizemos a nossa parte. Afinal, aquilo não era uma mutação. Era só azar mesmo.

Passado o susto, fomos para uma das salas e fomos informados de que, como a exibição seria simultânea, os atores Patrick Stewart e James McAvoy, que interpretam o Professor Charles Francis Xavier — um no futuro e outro no passado —, visitariam cada sala, conversariam com os espectadores e, depois, o play aconteceria.

Eles foram empáticos e engraçados, e Patrick Stewart arriscou algumas poucas frases pontuais em língua portuguesa para interagir com a plateia. Se despediram e, uns 10 minutos depois, tudo apagou e a exibição teve início.

Eu sou suspeito para falar que adorei. As minhas parceiras de aventura também gostaram. E ai de quem falasse mal perto de mim! Kkkkk.

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Voltamos para a nossa terra querida, Jundiaí, sem contratempos, tirando, é claro, a interferência que um cheddar pode causar em um rolê.

Desde então, nunca mais comi esse queijo manipulado e sigo fiel, acompanhando os X-Men e a vidinha Marvel.

Porque algumas histórias começam com um convite, passam por uma Mística quebrada, sobrevivem a uma maquiagem no volante e terminam com um cheddar tentando assumir o papel de vilão.

E, como todo bom jornalista sabe, o importante é apurar os fatos. Principalmente quando a culpa não é sua.

MIGUEL ÉDI GOMES

É jundiaiense, tem 55 anos. É formado em jornalismo pela UniFaccamp e atualmente faz parte da equipe da Assessoria de Imprensa da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.

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