Meus AVÓS dormem profundamente…

avós

Eu tive muita sorte, na minha infância, de poder conviver intensamente com os meus avós maternos. Nasci e cresci na casa dos meus avós, como já comentei em artigo anterior, ouvindo estórias e recebendo cuidados e carinhos do seu Luiz e da dona Phina (Josephina), pais da minha mãe. Era sempre uma festa, pra mim, ficar por lá já que o imóvel mais parecia uma chácara, com muitas árvores frutíferas, cachorros, gatos e para completar, a linha do trem passava ao fundo. Enfim, a casa dos meus avós tinha todos os ingredientes para deixar qualquer criança feliz.

Em contrapartida, esse convívio não aconteceu com os meus avós paternos, seu Perfetto (um nome bastante incomum) e dona Maria. Meu avô morreu num acidente quando meu pai ainda era bem pequeno e ficou para a minha avó a missão de criar os filhos e manter a casa. Imagino que não tenha sido nada fácil a vida desta mulher, que eu quase nem conheci. Lembro-me pouco dela, que também faleceu quando eu era bem pequenininha. O que me vinha à mente quando ouvia falar da minha vó Maria era seu cabelo grisalho preso num coque. Mas não sei se essa imagem é apenas imaginação minha, ou se efetivamente ela costumava usar esse tipo de penteado.

Fico divagando sobre o cotidiano destas pessoas, que viveram em épocas tão diferentes da minha, mas que tiveram importância vital na minha existência, na minha formação moral, psicológica e até espiritual. Com certeza meus pais, de alguma forma, me transmitiram valores que absorveram de seus antepassados, e muitas das minhas manias, trejeitos e atitudes perante a vida podem e devem estar conectados lá no passado, nas personalidades dos meus avós. Como diz o ditado, “um fruto nunca cai longe da árvore…”.

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Lembrar-se dos avós não é uma coisa que fazemos todos os dias. As preocupações cotidianas priorizam a nossa atenção. Mas, vez ou outra bate certa nostalgia, não é mesmo? A mesma nostalgia que deve ter inspirado o poeta Manuel Bandeira (de quem sou fã) a escrever o poema “Profundamente”, onde ele relembra com carinho os bons momentos da infância, passados com seus avós. “Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo. Onde estão todos eles? Estão todos dormindo, estão todos deitados, dormindo profundamente”, numa lírica analogia ao sono profundo e eterno da morte. Seu Luiz, dona Phina, seu Perfetto e dona Maria cumpriram suas missões, abriram caminho para novas gerações e agora já estão dormindo profundamente.

Quem teve o privilégio de conviver com seus avós, certamente guarda deliciosas recordações. Lembro-me das estórias do vô Luiz, do seu clarinete, dele alisando a palha e picando o fumo para fazer seu cigarro. E da minha avó cozinhando diante do fogão. Que tempo bom. O que será que meus netos (se eu chegar a conhecê-los) pensarão ou dirão de mim quando já forem adultos? Só o tempo vai poder responder.(Foto: Oktay Köseoğlu/Pexels)

VÂNIA ROSÃO

Formada em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero. Trabalhou em jornal diário, revista, rádio e agora aventura-se na Internet.

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