No segundo ano consecutivo concorrendo ao Oscar, o cinema brasileiro mostra sua competitividade no mercado internacional. Na Berlinale, a presença marcante em diferentes categorias do festival de Berlim demonstra também a criatividade, sensibilidade e competência das produções. De acordo com a revista Screen foi uma das maiores delegações desta 76ª edição do evento que termina no dia 22.
As relações familiares – com suas “dores e delícias” – foram tematizadas em diversas ocasiões: o luto, os segredos, as intimidades e dificuldades de lidar com diferenças se misturaram nos relatos com fatos da história do Brasil, atuais ou não.
De forma artística, mas também documentando realidades, o único curta brasileiro registrou a vida de duas indígenas no Rio de Janeiro. “Usei a ideia de contar um sonho para retratar o cotidiano delas, no prédio onde elas realmente moram”, conta o diretor do filme “Floresta do Fim do Mundo”, Felipe M. Bragança. “Achei mais interessante assim do que filmar o dia a dia delas, contamos uma história real, mas com traços de ficção e fizemos daí então um filme.”
No longa “Quatro Meninas”, de Karen Suzane, a escravidão no Brasil se mistura com o momento da fuga do internato no qual as oito personagens, quatro negras e quatro brancas, viviam. Elas passam a compartilhar as aventuras de um novo lugar para viver, no começo com muito estranhamento e diferenças, e lentamente vão entendendo que são apenas jovens em busca da própria felicidade. O filme vai então mostrando, com muita sensibilidade, que independente da cor da pele, os sentimentos do ser humano são os mesmos.

Profissionais conhecidos internacionalmente como a atriz Pamela Anderson, que atua no filme do brasileiro Karim Aïnouz, “globais” como Lázaro Ramos(foto ao lado e principal), Teca Pereira, Alana Cabral, a primeira atuação da renomada escritora Conceição Evaristo estrearam em projetos nas telas da capital alemã ao lado de iniciantes que encantaram o público, como Yuri Gomes que faz o Gugu, papel principal do “Feito Pipa “, de Allan Deberton, entre outras crianças que esbanjaram talento em diversos filmes.
Yuri foi escolhido entre quase 700 candidatos e foi super bajulado por novos fãs. Inspirado na vida do roteirista André Araújo seu personagem Gugu é criado pela avó (vivida por Teca Pereira), gosta de usar maquiagem, andar com garotas e dançar, o que desperta a ira do pai conservador, que é o personagem de Lázaro Ramos. “A maior dificuldade foi fazer um pai bravo e intolerante desse menino maravilhoso que é o Yuri” , ressaltou Lázaro na segunda-feira, ao falar com o público após a exibição do longa. “Foi uma honra imensa fazer parte deste filme.”
O embaixador brasileiro Rodrigo de Lima Baena Soares recebeu na Embaixada Brasileira, no último domingo, boa parte dos envolvidos na Berlinale e lembrou que o sucesso também é consequência dos incentivos nesta área. Visivelmente orgulhoso, ele elogiou o trabalho de todos, principalmente o das crianças, com as quais fez questão de ser fotografado. “Esse ano é muito especial para o Brasil, como tem sido nos últimos tempos, nos quais estamos sendo nomeados para várias premiações internacionais”, citou no discurso de abertura da recepção.
Vale lembrar que no ano passado “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro, levou o Urso de Prata, o segundo lugar de melhor filme da Berlinale. Agora é torcer para que as obras não fiquem restritas a Berlim, sejam bem divulgadas e encontrem palco em todo o mundo, principalmente no Brasil. Quem sabe, sendo as próximas a concorrer a vários prêmios, inclusive ao Oscar.
Os filmes brasileiros desta Berlinale:
Seção Panorama: “Isabel” (de Gabe Klinger), “Se eu fosse Vivo… vivia” (de André Novais Oliveira) e “Narciso” (de Marcelo Martinessi coprodução de vários países, inclusive Brasil)
Seção Generation: “Papaya” (de Priscilla Kellen), “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capaí, “Feito Pipa”, de Allan Deberton e “Quatro Meninas”, de Karen Suzane, na subseção Generation 14 Plus,
Seção Perspectivas: “Nosso Segredo”, de Grace Passó .
Seção Fórum: “Fiz um Foguete Imaginando que Você Via”, de Janaina Marques ; subseção Forum Expanded “Floresta do Fim do Mundo”, de Felipe Bragança.
Seção Competição: “Rosebush Pruning”, do diretor brasileiro Karim Aïnouz, coprodução de vários países e filmado originalmente em inglês. Curiosamente, também entre os 22 concorrentes ao principal prêmio do festival está “Josephine”, de Beth de Araújo, que é nascida nos Estados Unidos, mas filha de pai brasileiro.

SANDRA MEZZALIRA GOMES
Jornalista jundiaiense em cobertura especial para o Jundiaí Agora. Mora na Alemanha há duas décadas
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