Na edição da Berlinale deste ano, o elenco do filme “Feito Pipa”, incluindo Lázaro Ramos(foto abaixo), ganhou canetas com bonecas de pano. O adorno faz parte do projeto Namariê, que quer dizer ‘bem-estar’ e é encabeçado pela terapeuta ocupacional Kate Regina da Silva. Segundo ela, o objetivo é promover a identidade, valorizar a cultura afro-brasileira e fortalecer a autoestima das crianças negras. O Jundiaí Agora conversou com a jundiaiense Kate:

Como o Namariê começou?
Em 2012, quando iniciei a proposta, chamava Oficina Black, no qual mulheres em situação de vulnerabilidade da vila Ana faziam bonecas negras de pano. A ideia era gerar renda para elas. À medida que as participantes foram se engajando com o trabalho, surgiram novos parceiros, como por exemplo o Senac, que ofertou um curso de corte e costura às participantes. Devido à dificuldade de gestão, aos poucos as participantes foram buscando outras fontes de renda e o trabalho não resistiu. Posteriormente, com a consultoria com o Sebrae, projeto mudou o nome para Namariê. No realinhamento, optou-se por dar continuidade nas atividades por conta própria, confeccionando as bonecas e ampliando para outros artesanatos com linguagem afro-brasileira. Assim surgiram também as ponteiras de canetas para crianças, confeccionadas por encomendas. Parte da matéria-prima utilizada é proveniente do reuso têxtil. Para equilibrar as doações desses resíduos, criou-se como estratégia sustentável, uma pequena cadeia de economia colaborativa com senhoras artesãs de diferentes bairros de Jundiaí para que as mesmas possam gerir seus trabalhos artesanais. Além de toda a relação de ancestralidade, resistência e representatividade que o trabalho da Namariê expressa, gosto muito da adoção da cultura do upcycling (supra-reciclagem) na proposta por permitir a união da criatividade, sustentabilidade e economia colaborativa, o que agrega um valor poderoso à proposta.

Já tinha experiência em fazer as bonecas?
Sim. Em 2002, comecei a aprender a confeccionar as bonecas. Não sabia costurar à máquina. A minha mãe me ajudou no início. Era uma experiência com baixa produção, despretensiosamente e sem viés com às questões raciais. Em 2012, com a preocupação em promover a identidade, valorizar a cultura afro-brasileira e fortalecer a autoestima entre as crianças negras, participei de feiras e eventos em Jundiaí e outras cidades do Estado de São Paulo que me desafiaram a convidar crianças de diferentes etnias para estabelecer contato com a boneca negra. Isso me fez refletir sobre a importância de aproximar as infâncias com a possibilidade de despertar a criação de mundos imaginários e minimizar os extremos entre os diferentes no futuro.
Por que escolheu fazer as bonequinhas para canetas?
Primeiro usava lápis já que as crianças estavam começando na escola. Depois, foram surgindo pedidos para colocá-las em canetas…
Quais materiais são usados?
Utilizo bolinhas de isopor, massa de biscuit, caneta permanente, tinta em alto relevo, cordão de algodão ou poliéster, canetas, fitas decorativas e retalhos de malha, moleton, e tecidos estampados…
Como funciona a distribuição?
Eventualmente participo de eventos em escolas e exponho os lápis, as canetas e os outro produtos que confecciono, como bonecas de 25 centímetros(foto abaixo).

Por que percebeu a necessidade de uma ação com estes objetivos? E qual é o retorno que as crianças dão?
Diante da percepção do tratamento desigual oferecido às crianças negras, sobretudo no ambiente escolar, foi como se eu voltasse a minha infância e percebesse que as novas gerações continuam enfrentando os mesmos desafios do racismo. Os feedbacks recebidos de crianças durante as feiras que participei, seja na apreciação da boneca na vitrine ou na aquisição de uma boneca diferente do seu perfil, abre um caminho de construção de identidades positivas de si e de seus pares e amplia o repertório de conhecimento sobre as riquezas da cultura afro-brasileira e africana. Não tenho ideia de quantas crianças já têm as bonecas…
Atores que estiveram na Berlinale, inclusive o Lázaro Ramos, receberam as bonecas. Como foi essa experiência?
Fiquei muito surpresa e feliz com a foto. Foi uma honra ver meu trabalho chegar nas mãos de celebridades brasileiras, ícones no desenvolvimento e fortalecimento do protagonismo negro.
Como deve proceder quem estiver interessado em comprar uma boneca?
Pedidos podem ser feitos pelo WhatsApp (11) 98423 1147 ou através de mensagem pelo Instagram @namarieafro. As bonecas são vendidas por unidade: R$ 20. No atacado, a partir de seis unidades, R$ 18. Já as bonecas maiores, R$ 60.
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