Usando brinquedos, enfermeira faz pesquisa com crianças no CAPSij

brinquedos

A enfermeira Giulia Delfini(foto) está desenvolvendo projeto sobre uso de brinquedos no Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil, o CAPSij, no Anhangabaú. A ideia é criar um espaço para crianças que vivenciam sofrimento psicológico de familiares possam expressar ansiedades e medos através do brincar, a principal forma de comunicação delas. A pesquisa-ação tem o título ‘Brinquedo Terapêutico Dramático para Crianças em Sofrimento Psíquico: Implicações para a Relação Enfermeiro-Paciente’. O Jundiaí Agora conversou com Giulia:

Você nasceu em Jundiaí? Conte a sua trajetória profissional…

Sim. Morei e trabalhei em Campinas e São Paulo. Há 10 meses voltei para Jundiaí e venho realizando o estudo no CAPSij. Também atuo como enfermeira nos Serviços Residenciais Terapêuticos(SRTs) do município. Sou formada pela Unicamp. Lá também fiz meu mestrado. Agora estou cursando o doutorado. Já trabalhei em uma escola de educação especial para crianças, adolescentes e adultos com transtornos globais do desenvolvimento e também em um hospital psiquiátrico.

Como surgiu a ideia da pesquisa sobre o uso de brinquedos terapêuticos? É inédita?

O brinquedo terapêutico dramático (BTD) é uma tecnologia de cuidado de enfermagem muito utilizada, principalmente com crianças hospitalizadas. Porém, não há relatos em literatura científica sobre seu uso em serviços de saúde mental infantojuvenil. Não sei dizer se é empregado em outros serviços de saúde de Jundiaí, porém no CAPSij é a primeira vez que é implementado. Minha motivação para utilizar o BTD com crianças na saúde mental surgiu ainda na graduação, a partir de uma iniciação científica em que foi revelado que a equipe de enfermagem enfrenta dificuldades para atuar na saúde mental infantojuvenil, principalmente por não ser um tópico abordado na formação e por não haver materiais disponíveis para embasar o cuidado de enfermagem com esse público.

O que pretende comprovar com este trabalho?

Como não há relato em literatura científica sobre o uso do BTD para crianças na saúde mental, a ideia dessa pesquisa é testar sua implementação nesse contexto específico do cuidado, para que, possivelmente, outros enfermeiros interessados em aplicar o BTD para crianças em sofrimento psíquico tenham um material em que possam se apoiar e desenvolver seu trabalho.

Enquanto as crianças brincam falam de seus problemas? Explique como funciona na prática…

Não necessariamente a criança precisa falar, verbalmente, sobre seu sofrimento enquanto brinca. Por vezes, inclusive, a depender da idade, ela ainda não tem a função da fala completamente desenvolvida. O referencial teórico utilizado nessa pesquisa defende que, durante as brincadeiras, ela pode expor situações que lhe causam angústia, para que se aproprie delas de maneira mais ativa. Ou então, mais frequentemente, o próprio ato de brincar pode ajudá-la a alcançar funções psíquicas que ainda não foram conquistadas, afinal, o brincar é essencial para o desenvolvimento de todas as crianças.

Como são afetadas as crianças que testemunham o sofrimento psicológico de pais?

Não é possível generalizar essa resposta… Cada criança, em sua singularidade e subjetividade, vivencia e responde às situações de sua vida de maneira única… Dois irmãos que testemunham o sofrimento psíquico dos pais, por exemplo, podem ficar marcados por essa experiência de maneiras completamente distintas, inclusive não necessariamente desenvolverão questões relacionadas à saúde mental.

Os brinquedos que você usa são diferentes, especiais?

Todos os brinquedos selecionados possuem uma justificativa científica. Para composição da caixa(na foto), são utilizados brinquedos que permitem à criança reproduzir ou criar situações cotidianas, como bonecos representativos de familiares, como mãe, pai, avós, irmãos… Também usamos brinquedos que simulem itens domésticos: casinha, cozinha, carrinhos, materiais que estimulem a criatividade (papel, massinha de modelar, lápis colorido, blocos de montar, tinta), entre outros… O mais importante, contudo, é permitir o brincar livre, ou seja, a criança deve poder escolher os brinquedos e também a brincadeira, sem ser conduzida ou influenciada pelo profissional.

Como você lida com o sofrimento das crianças? É afetada também? Precisa passar por um psicólogo para ficar bem?

A pesquisa está sendo conduzida por meio da elaboração de casos clínicos em psicanálise, referencial teórico que conduz as sessões de BTD. Para isso, é preciso que o pesquisador respeite algumas condições: estar em constante estudo sobre as teorias psicanalíticas, fazer supervisão dos casos atendidos com uma psicanalista mais experiente e, por fim, estar ele mesmo em processo de análise pessoal. Sendo assim, não só por questões pessoais, mas também para condução da metodologia de pesquisa, faço atendimento com uma psicanalista.

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