Ninguém pode imaginar o que vai dar na sabatina. Os candidatos à presidência da República confirmam a presença e as gigantescas assessorias se engalfinham nos bastidores para estabelecer regras, tempo na televisão e mediador. A polêmica continua com a lista de jornalistas convidados para fazer perguntas e debater com o convidado. Há expectativa geral se a sabatina pode ou não decidir em qual candidato os eleitores/espectadores votarão, além de marcar um ponto sem volta na campanha eleitoral. Há uma imensa quantidade de eleitores indecisos, perdidos pela campanha eleitoral em curso em que os candidatos, ao invés de apresentarem soluções para os grandes problemas nacionais, usam o espaço para atacar os oponentes com acusações desafiadoras.
Os organizadores dos debates esperam que eles sejam claros e que haja respeito mútuo entre jornalistas e convidados. Ninguém espera que impere o ditado popular do “bateu, levou”. Cada um vai ter o seu tempo de pergunta e de resposta fiscalizado pelo mediador que tem a responsabilidade de impedir que a entrevista descambe para um bate-boca, com ofensas de lado a lado. Essa foi a principal recomendação da emissora para o jornalista. Nada de espetáculo, nem de circo. O que a população quer, e o momento vivido pelo país exige, são exposições claras para que se saiba em que o programa de um candidato difere de outro. As rivalidades e os egos são o combustível para a entrevista degringolar. Há candidatos da direita, da esquerda, liberais, socialistas, sociais-democratas e outras tendências abrigadas nos guarda-chuvas partidários. Um verdadeiro buquê de ideologias. O povo que escolha.
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Ninguém sabe no que vai dar as sabatinas com candidatos à presidência da República. São 10 candidatos a uma velocidade de dois por dia. Um desafio para os organizadores e para a televisão. O Roda Viva da TV Cultura inaugura, em 1994, a abertura da série com o candidato do PMDB, Orestes Quércia, ex-governador de São Paulo. O jornalista do jornal O Estado de S. Paulo abre o debate pondo em dúvida a honestidade de Quércia e o seu rápido enriquecimento. Rui Xavier quer saber como ele explica sua ascensão econômica e a baixa avaliação na pesquisa eleitoral com apenas 4% das intenções de voto. O debate parte para uma troca ríspida de acusações com Rui sendo chamado de canalha. Responde: “Canalha, é você!!!” Daí pra frente o mediador do Roda Viva perde o controle e o convidado levanta com a intenção de agredir o jornalista. Não consegue, porque está preso pelo microfone. Há uma gritaria no estúdio por parte de outros jornalistas. Finalmente, entra um intervalo comercial, mas a briga continua. Foi preciso aumentar o tempo de intervalo até que se acalmassem. A duras penas o programa chega ao seu final com a presença dos seguranças de Quércia. O apresentador deixa o estúdio com a sensação de que vai ser demitido pela direção da TV Cultura…(Foto: Rodolpho Zanardo/Pexels)

HERÓDOTO BARBEIRO
Heródoto Barbeiro é jornalista do Record News, R7 e Nova Brasil (89.7), além de autor de vários livros de sucesso, tanto destinados ao ensino de História, como para as áreas de jornalismo, mídia training e budismo. Apresentou o Roda Viva da TV Cultura e o Jornal da CBN. Mestre em História pela USP e inscrito na OAB. Acompanhe-o por seu canal no YouTube “Por dentro da Máquina”
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