CIDADANIA

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Exercer a cidadania vai muito além de votar, conhecer nossos direitos ou cumprir nossos deveres. Cidadania também está na forma como olhamos para o outro.

Ela começa quando entendemos que viver em sociedade significa compartilhar espaços, histórias, diferenças e sonhos. Significa reconhecer que a liberdade que desejamos para nós também precisa existir para quem pensa, ama, acredita ou vive de maneira diferente.

Ser cidadão é não permanecer indiferente diante da injustiça. É respeitar uma pessoa mesmo quando não concordamos com ela. É estender a mão, ouvir antes de julgar, combater uma violência mesmo quando ela não nos atinge diretamente.

E talvez exista algo ainda maior por trás da cidadania: a humanidade.

Porque não precisamos viver a mesma experiência para compreender a dor do outro. Não precisamos ser LGBT+ para defender os direitos da população LGBT+. Não precisamos ser mulheres para combater o machismo. Não precisamos ser vítimas de preconceito para entender que ninguém deveria ser vítima dele.

A verdadeira cidadania acontece quando deixamos de perguntar “isso tem a ver comigo?” e começamos a perguntar “isso é justo?”.

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Uma sociedade não se transforma apenas pelas grandes leis ou pelas decisões das instituições. Ela se transforma nas pequenas escolhas de cada pessoa: quando respeitamos um nome, acolhemos uma diferença, interrompemos uma piada preconceituosa, defendemos alguém que está sendo injustiçado ou simplesmente tratamos o outro com a dignidade que gostaríamos de receber.

No fim, cidadania é isso: entender que a vida em sociedade nos torna responsáveis uns pelos outros.

E talvez a maior expressão de humanidade seja justamente essa: perceber que o direito de existir com dignidade não é um direito apenas meu. É um direito de todos nós.(Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

LUCAS ANZOLIN

Formado em Gestão de Recursos Humanos e pós-graduado em Saúde Mental, Psicoterapia, Gênero e Sexualidade. Atua há 10 anos como terapeuta, palestrante e instrutor de cursos voltados à saúde mental, práticas integrativas e complementares (PICS), autoconhecimento e bem-estar. Também é Assessor de políticas para LGBT em Jundiaí dentro do núcleo de Articulação de Direitos Humanos(Instagram: lucas_anzolin)

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