Computação quântica não é produto. É posicionamento competitivo

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A computação quântica em 2026 é frequentemente apresentada como uma revolução iminente, capaz de resolver problemas inalcançáveis para os computadores atuais. Na prática, porém, neste momento econômico se assemelha menos a um salto tecnológico abrupto e mais a uma corrida estratégica para garantir posição em um futuro ainda em maturação.

Os números ajudam a explicar esse movimento. Estimativas indicam que o mercado global de computação quântica deve alcançar cerca de US$ 1,08 bilhão em receitas em 2026, com crescimento acelerado ao longo da próxima década, superando US$ 16 bilhões em 2035, a uma taxa anual composta superior a 35%. Embora modestos quando comparados a mercados consolidados como software empresarial ou semicondutores, esses valores não capturam o impacto total esperado. Projeções mais amplas apontam que a computação quântica pode gerar até US$ 1 trilhão em valor econômico cumulativo até 2035, por meio de ganhos de produtividade, redução de custos e novos modelos de negócio.

O entusiasmo, mesmo sem computadores quânticos plenamente operacionais e generalistas, está ancorado no chamado valor econômico antecipado. Empresas e governos investem hoje para construir competências, conhecimento e vantagem competitiva antes que a tecnologia atinja maturidade. Esse movimento não pressupõe a substituição da computação clássica, mas sua integração com capacidades quânticas em arquiteturas híbridas.

Na prática, esse processo já ocorre. Em finanças e logística, algoritmos inspirados em princípios quânticos, ainda executados em computadores clássicos ou simuladores, vêm demonstrando ganhos em otimização de portfólios e planejamento de rotas complexas. Assistidos por inteligência artificial, esses métodos geram melhorias incrementais que se convertem rapidamente em vantagem competitiva, sem exigir a aquisição de computadores quânticos dedicados, cujo custo atual pode ultrapassar US$ 300 milhões por unidade. Esse pragmatismo explica o crescimento da computação quântica via nuvem, que ultrapassou US$ 1 bilhão em 2025 e deve crescer a taxas superiores a 30% ao ano até 2030.

O interesse crescente de grandes corporações, instituições financeiras e governos reforça que o movimento vai além da especulação. Projetos-piloto que combinam técnicas quânticas e aprendizado de máquina já são usados para melhorar previsões de mercado e análises de risco. Ao mesmo tempo, investimentos públicos, como os quase US$ 1 bilhão aportados pelo governo dos Estados Unidos, além de programas similares na União Europeia, ajudam a reduzir riscos e acelerar a experimentação, em um padrão que remete ao papel do Estado na consolidação de tecnologias como a internet e os semicondutores.

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Ainda assim, é crucial distinguir entre valor latente e valor realizado. A maior parte do impacto econômico permanece no horizonte, enquanto a tecnologia atravessa a fase NISQ, marcada por sistemas com poucos qubits e alta suscetibilidade a erros. Mesmo assim, o volume de capital, talentos e recursos mobilizados por startups e grandes empresas indica que a computação quântica dificilmente pode ser descartada como uma bolha passageira.

Em última instância, o hype de 2026 não decorre da crença em uma disrupção imediata, mas do reconhecimento de que a próxima década pode redefinir vantagens competitivas em diversos setores. Para líderes empresariais, a questão central já não é se investir em computação quântica, mas quando e como alinhar essa tecnologia a objetivos estratégicos concretos, evitando ficar à margem quando o salto verdadeiramente transformador ocorrer.

ARTUR MARQUES JR

É cientista de dados e especialista em IA aplicada, com sólida atuação em educação digital e inovação. Coordena a pós-graduação digital na Cruzeiro do Sul Educacional e é PhD em Ensino de Matemática, Mestre em Física Computacional e Astrofísica. Atua como palestrante, mentor, cofundador do Grape Valley, é VP Fiscal do Hospital do GRENDACC e já foi VP da DAMA Brasil.

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