Inicio esta coluna, que será quinzenal, com a frase do ativista ambiental Chico Mendes, assassinado em 1988. Estas palavras definem o momento que vivo hoje e a escolha por fazer parte do Coletivo Japy, fundado em 2021 por um grupo de pessoas que atuava de alguma forma na luta socioambiental e pela ecologia.
Nascemos com o objetivo de construir coletiva e participativamente caminhamos para o bem-viver através da educação emancipatória e autônoma, promover a transição para formas sustentáveis de vida e de uma sociedade global fundamentada em um modelo de ética compartilhada.
Naquele momento da nossa fundação estava em curso a luta da Associação Mata Ciliar, que se defendia da especulação imobiliária e interesses econômicos da empresa VOA-SP. Adiantamos nosso nascimento para iniciarmos a defesa, pela sociedade civil, deste importante e riquíssimo trabalho. Não poderia ter sido a decisão mais acertada. Nos adiantamos, sem pensar na data, e acertamos na defesa da ecologia, da vida selvagem. Nada mais significativo e que já demonstrava qual caminho seguiríamos a partir dali.

Deste momento em diante passamos por diversas lutas, reuniões, palestras, atividades de campo, parcerias e alguns enfrentamentos acalorados no caminho, sem nunca nos distanciarmos de nossa essência ou abrir mão de nossos valores.
A partir da atuação local, sempre pretendemos:
- Contribuir para a construção de um mundo fundamentado no respeito e harmonia com todas as formas de vida;
- Incentivar mudanças de paradigmas, respeito e cuidado com a comunidade da vida;
- Garantir a integridade ecológica;
- Estimular o pensamento crítico sobre temas socioambientais;
- Territorializar a luta pela terra.
O Coletivo Japy então se tornou um movimento social reconhecido, tendo conquistado respeitabilidade justamente pela confiança da sociedade jundiaiense e da região. Seguiremos com estes valores que não se ausentarão do debate em nosso território.
Passamos pela luta em defesa da Praça Rildo; pelo ano de 2022 concentrados em arrecadar fundos para a produção de provas de defesa da Associação Mata Ciliar – quem pode se esquecer das feijoadas no Villa Pizza Bar ou da Festa Julina no Bike Hotel? – à tão viva luta em defesa da Serra do Japi; ao enfrentamento quando da contaminação do Jardim Botânico do Tulipas pelo corante verde malaquita altamente tóxico, que contaminou o Rio Jundiaí e tornou a cidade notícia internacional; à defesa e recuperação ambiental promovida no Morro da Baleia, que hoje conta com quase 500 mudas de mata nativa plantadas, projeto este que passa por disputas e tentativas de cooptação por parte de quem nada entende da pauta.
O Coletivo Japy esteve sempre à frente do debate sobre racismo ambiental, violências ambientais, uso e ocupação do solo. Não só em palestras isoladas, mas também na vida prática de nossas comunidades, como é o caso das pessoas que vivem na Ilha Bela, no Ivoturucaia, divisa entre Jundiaí Várzea, que passou por deslizamento de terra que vitimou quatro vidas em 2024: Renata e os filhos Ana Gabriela, Ana Vitória e Thales. Acredito que este tenha sido o pior momento para nós do Coletivo Japy, mas deveria ter sido o momento mais difícil para aqueles que vitimaram essas vidas por negligência e omissão, e até hoje seguem vitimando quem ainda permanece no território.
Hoje apresento o Coletivo Japy trazendo pautas que atuamos, nossos valores e nossa essência para indicar o que vocês poderão esperar para as próximas quinzenas, quais temas e reflexões que pretendo promover nesse espaço que me foi oferecido e muito agradeço. O pedido que deixo é que leiam com criticidade e se disponham a reflexão.

JULIANA OLIVEIRA
É advogada, orientadora social, alfabetizadora popular e presidente do Coletivo Japy, movimento social fundado em 2021 para atuação no território nas pautas socioambientais.
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