EDUCAÇÃO FINANCEIRA X CRIANÇAS: Onde estamos errando?

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Se você tem filhos, sobrinhos ou netos em idade escolar, já deve ter ouvido alguém dizer:
“Quando eu cresci, ninguém nunca me ensinou sobre dinheiro”. Essa frase ecoa em muitos lares e não é coincidência. Apesar de vivermos em um mundo onde decisões financeiras influenciam todas as fases da vida, muita gente cresce sem saber como controlar um orçamento, lidar com crédito ou até pensar em poupar para o futuro. A falta de educação financeira começa cedo, muitas vezes na infância.

A educação financeira, apesar de urgente, ainda é tímida nas escolas brasileiras, inclusive na educação básica e isso tem consequências duradouras. Embora esteja prevista como tema transversal na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), sua implementação prática ainda é desigual e limitada em muitas instituições. Neste contexto, crianças muitas vezes crescem sem aprender desde cedo conceitos como orçamento, consumo responsável ou planejamento financeiro, habilidades essenciais para a vida adulta.

Diversas pesquisas internacionais mostram que, quando essa educação não acontece na infância e adolescência, os jovens chegam à vida adulta sem hábitos financeiros saudáveis e com baixo entendimento sobre como lidar com dinheiro, crédito e investimentos, o que pode comprometer seu futuro financeiro.

O que estamos deixando passar em Jundiaí (e em muitas casas brasileiras)?

1. Falta de diálogo em casa – Muitos pais têm boas intenções, mas evitam falar de dinheiro com os filhos por medo de transmitir inseguranças ou por não se sentirem seguros sobre o assunto. Isso é um erro, a família é o primeiro ambiente de aprendizagem. Estudos mostram que quando as conversas sobre dinheiro acontecem em casa, crianças tendem a desenvolver atitudes mais conscientes sobre o uso dos recursos.

2. Falta de implementação efetiva nas escolas – Embora exista espaço curricular que permita abordar educação financeira, na prática muitas escolas não oferecem atividades específicas ou não integram o tema de forma relevante no dia a dia dos estudantes.

Sem esse aprendizado, a escola perde a chance de preparar os alunos para decisões que terão impacto direto em suas vidas, como entender poupança, orçamento familiar, diferenças entre necessidade e desejo, riscos financeiros e oportunidades de investimento.

3. Impacto real na vida financeira futura – Quando crianças e adolescentes não recebem educação financeira, isso pode refletir em escolhas ruins no futuro: uso indiscriminado do cartão de crédito, endividamento precoce, falta de reserva financeira e até decisões impulsivas de consumo. E o problema vai além: o impacto não acontece apenas no indivíduo, mas pode afetar toda a família e comunidade, perpetuando ciclos de decisão financeira ruim que poderiam ser evitados com formação adequada.

O que precisamos fazer? Ainda dá tempo!!!

1. Tornar o dinheiro um assunto natural – Família e escola precisam conversar sobre dinheiro com as crianças, de forma simples e prática. Mostrar que um orçamento existe, que comprar algo envolve escolhas, que poupar pode ser divertido e que economizar é uma forma de autonomia.

2. Inserir educação financeira como prática aplicada – Mais do que explicar o que é juros ou poupança, crianças precisam aprender fazendo:

  • simular compras;
  • entender orçamento familiar;
  • poupar para um objetivo (mesmo pequeno);
  • jogar e aprender com atividades lúdicas.

Essas experiências conectam teoria à vida real.

3. Comprar uma educação que transcenda a sala de aula – Projetos que envolvem escola e família juntos, como feirinhas de economia, bancos simulados ou clubes de poupança infanto-juvenil, são ferramentas poderosas para trazer o conceito para casa e para a comunidade.

O papel de Jundiaí: educação financeira como utilidade pública – Quando Jundiaí e outras cidades tratam a educação financeira como política pública integrada à escola e à vida familiar, estamos investindo no futuro da nossa população:

  • crianças mais conscientes;
  • jovens preparados para desafios econômicos;
  • adultos com melhor controle financeiro;
  • famílias com menos endividamento e mais segurança;
  • comunidade mais resiliente diante de crises econômicas.

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E tudo isso começa com algo muito simples: conversar sobre dinheiro com as crianças e incluir a educação financeira no cotidiano, nas escolas e nas casas.

Conclusão: vamos transformar Jundiaí em referência – A educação financeira infantil não é um tema secundário, nem algo “depois a gente vê”. Ela é ferramenta de equidade social e de fortalecimento das famílias. Quando ensinamos nossas crianças a pensar com responsabilidade sobre dinheiro, estamos ensinando liberdade, planejamento e dignidade.

Como consultor financeiro, vejo todos os dias o impacto que a falta de educação financeira traz na vida das pessoas e também quanto pode ser transformador o aprendizado desde cedo.(Foto: Cottonbro Studio/Pexels)

KAUÊ CARVALHO

É pós-graduado em Finanças Pessoais pelo Instituto Soape e especialista na Lei do Superendividamento do Brasil. Atua há mais de cinco anos ajudando pessoas a reestruturarem suas vidas financeiras, com visão global e adaptada às diferentes realidades de contexto. @kauecarvalhoconsultor

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