Efeitos da CRISE CLIMÁTICA têm endereço certo

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Mudanças climáticas, chuvas torrenciais, vendavais, terremotos, ondas de calor e aquecimento global. Há quem diga que é a natureza dando sinais de esgotamento; outros afirmam que ela apenas devolve décadas de exploração desenfreada e de descaso com os recursos naturais. Independentemente da forma como enxergamos esse cenário, uma pergunta se impõe: como reverter os efeitos das mudanças climáticas? E, se já não for possível impedir todos os seus impactos, como podemos nos proteger das próximas tragédias?

A verdade é que o mundo ainda não está preparado. E, se até os países mais desenvolvidos enfrentam dificuldades para lidar com eventos climáticos extremos, o que dizer do Brasil, um país marcado por profundas desigualdades sociais e por políticas públicas que, muitas vezes, falham justamente quando são mais necessárias?

É impossível ignorar que os desastres climáticos têm endereço certo. Os impactos recaem, quase sempre, sobre quem dispõe de menos recursos para enfrentá-los. São as famílias das periferias, os trabalhadores de baixa renda, os moradores de áreas de risco e os milhares de desabrigados que sofrem os efeitos e pagam o preço mais alto. Essa realidade revela o racismo ambiental: a ausência de investimentos em infraestrutura, saneamento básico, moradia digna e planejamento urbano condena populações historicamente marginalizadas a conviver com riscos que poderiam ser evitados.

O termo racismo ambiental, cunhado em 1982 pelo ativista norte-americano Benjamin Chavis Jr., surgiu durante os protestos de uma comunidade negra na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, contra a instalação de um depósito de resíduos tóxicos em seu território. Décadas depois, o conceito continua atual e ajuda a compreender uma realidade que também se repete no Brasil.

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Basta olhar para o nosso próprio quintal. Levantamentos da Fiocruz mostram que a população mais exposta aos impactos ambientais também é aquela que vive em áreas com infraestrutura precária, sem acesso adequado ao saneamento básico, à água tratada e à moradia segura. A ocupação desordenada de encostas e margens de rios potencializa os danos provocados por enchentes, deslizamentos e outros eventos climáticos extremos.

Diante desse cenário, fica evidente que a crise climática não afeta todas as pessoas da mesma maneira. Ela amplia desigualdades já existentes e evidencia o abandono de quem historicamente foi colocado à margem. Enfrentar esse desafio exige mais do que ações voltadas à preservação ambiental. Exige planejamento urbano, investimentos públicos e justiça socioambiental. Afinal, a chuva cai sobre todos, mas os efeitos continuam escolhendo os mesmos endereços.(Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

ROSEMARY DA SILVA

Conferencista Nacional na Promoção  de  Políticas Públicas Étnico-Raciais. Formada em Direito pela Unianchieta, atua na Educação Infantil com o Projeto Igualdade Racial Nas Escolas. Escritora premiada na categoria  literatura infantil com o livro “Os Olhos Azuis Do Menino de Bantu”. Acompanhe seu trabalho pelo Instagram @rosemaryda96.

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