O uso interpretativo dos resultados de determinadas avaliações no âmbito educacional, sempre que aparece nos noticiários, deve ser considerado com muito cuidado. As narrativas usadas para descrever esses resultados podem estar, na realidade, vinculadas a interesses que quase nunca são aqueles manifestados. As reportagens e opiniões sobre o Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) realizado pelo MEC recentemente são um exemplo de como diferentes pontos de vista podem ser apresentados dependendo do viés pretendido.
Em muitos anos dedicados à educação aprendi que avaliações são o ponto nevrálgico do processo educativo, pois são muito sensíveis, entretanto representam o conjunto de ações que possibilitam medir se os objetivos pretendidos estão sendo alcançados. Também aprendi que avaliação é um processo e que o uso isolado de quaisquer instrumentos de medida não é suficiente para avaliar de forma justa e adequada. Esta é a situação do Enamed.
Ainda que a prova seja bem elaborada, esteja devidamente calibrada e testada, não é suficiente para tirar conclusões sobre o resultado, sobretudo quando aplicado a estudantes sem nenhum impacto pessoal. Seria muito interessante se os resultados de cada aluno nestes exames constassem de seus respectivos históricos escolares.
As informações obtidas são, evidentemente, relevantes, mas não autoriza que determinados órgãos extrapolem suas funções propondo medidas descabidas como impedir o exercício profissional dos egressos das escolas mal avaliadas por este instrumento único. Tampouco é aceitável que se proponham sanções sem observar que estas escolas foram autorizadas pelo próprio ministério, cumprindo rigoroso processo de análise, no qual demonstraram cumprir todos os requisitos necessários para ofertar o curso de medicina: corpo docente titulado e qualificado; espaços pedagógicos incluindo laboratórios de alto nível; relações estabelecidas com a sociedade e os serviços de saúde, incluindo hospitais, seguindo critérios rígidos.
Avaliar é fundamental em qualquer setor da economia, pois só assim teremos elementos para um desenvolvimento sustentável. É preciso saber se o que estamos fazendo está funcionando e se as nossas expectativas estão sendo atendidas, mas isto deve ser feito com cuidado e com metodologia. Não é possível tirar conclusões precipitadas sem uma análise adequada quaisquer que sejam os resultados.
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Se as escolas mal avaliadas pelo Enamed realmente precisam melhorar a formação de seus alunos é preciso acompanhar e propor ações de melhoria com base em um processo avaliativo que considere todas as possíveis variáveis e não um modelo simplista baseado em um único instrumento de medida. As escolas bem avaliadas não devem se acomodar, pois este tipo de avaliação pode mudar os resultados de um ano para outro.
Avaliar não é um processo simples e seus resultados devem ser considerados com responsabilidade.(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

FERNANDO LEME DO PRADO
É educador
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