ENCANTOS DO COTIDIANO

encantos

A mocinha estava de carro com a mãe na Alameda da Cesp Jundiaí – em direção ao centro da cidade. No acostamento estreito, um burrinho caminhava perdido, em risco de acidente. A mãe parou o carro, a jovem desceu, aproximou-se do muar, segurou na guia e o conduziu até a entrada onde havia uma porteira. Abriu-a, acariciou-o e ele seguiu depressa para dentro. A mãe me mandou o vídeo e fiquei impressionada com mais um dos encantos do cotidiano…

Veio-me o jumentinho que aqueceu Jesus na estrebaria, depois foi com eles para o Egito e carregou o Senhor na entrada em Jerusalém. Seria o mesmo? Dizem que pode durar até 30 anos, mas como para Deus nada é impossível, talvez esse chegasse aos 33.

Li, há anos, uma lenda sobre os jumentos terem uma cruz nas costas. Segundo o conto, o jumento que foi montaria de Jesus quando criança, assistiu à tragédia do calvário. Ele se ofereceu para carregar a cruz que Jesus levava, já que era apropriado para transportar pesados objetos. Os guardas não deixaram e o tocaram dali. Mesmo assim, teimosamente, permaneceu no lugar vendo a crucificação até o fim, pois ele amava o Senhor. Como recompensa, Deus colocou a marca da cruz em suas costas, em reconhecimento ao amor a Cristo.

Tempo de Advento. O profeta Isaías convida: “Vinde, subamos à montanha do Senhor. (…) Ele nos ensinará os seus caminhos, e nós andaremos pelas suas veredas” (Isaías 2,3). Andar pelas veredas do Senhor, sem dúvida, é ter um olhar para resgatar com amor todas as suas criaturas.

A outra moça é de luta pela sobrevivência. Cuida da família com primor. Dentre suas atividades, vende cosméticos. Um dia desses, juntou amostras em saquinhos e presenteou gente conhecida com quem convive, sem intenção alguma de comercialização. Considerei de delicadeza incrível! Um dos muitos encantos que pouco damos valor no dia a dia…

A terceira me interrompeu no trabalho e falou eufórica: “Ainda não lhe contei que salvei uma vida. É isso mesmo, salvei uma vida”. Sei de diversos acontecimentos dolorosos de sua história e admiro como ela resiste, sorri e busca motivos para cativar o coração.

Início da adolescência na Bahia. Nadar no rio que atravessava a cidade era atração irresistível. Uma tarde de calor intenso. De repente, um menino de nove anos levantou o braço em desespero. Ninguém tinha coragem de ir até ele. Atirou-se na água, aproximou-se e lhe disse: “Eu puxo você, mas não segure em mim, porque se fizer isso nós dois afundamos”. Era uma criança com um braço encurtado. Conseguiu levá-lo até a margem. Todo mundo aplaudiu. A lembrança de acudir alguém em risco de morte faz com que se mantenha da sensibilidade e da esperança. Pessoas que passam por ela, em situação de desconsolo, procura ajudar.

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Que presente de Deus conviver com fatos assim, cheios de encantos, na Casa da Fonte(CSJ) -, no meu amado Jardim Novo Horizonte! Como escreveu Maria Montessori (1870-1952), educadora, médica e pedagoga italiana: “É muito fácil compreender que tudo o que o adulto cria, mesmo que se possa chamar progresso, não leva a nada senão houver amor”.(Foto: www.camara.leg.br)

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE

Com formação em Letras, professora, escreve crônicas, há 40 anos, em diversos meios de comunicação de Jundiaí e, também, em Portugal. Atua junto a populações em situação de risco.

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