Ex-FMJ nos EUA: Plano B era “continuar tentando”

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A médica Renata Prota Hussein Skov, ex-aluna da 36ª turma da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), conquistou vaga em residência médica em Medicina de Família nos Estados Unidos(EUA). Aprovada na sua primeira opção após processo seletivo em 10 hospitais, ela enfrentou um longo e exigente processo, que incluiu a validação do diploma por meio de quatro provas rigorosas com duração de nove horas cada, ao longo de cinco anos. Tudo isso enquanto construía sua família: casou-se, teve três filhos e realizou exames decisivos durante a gestação, alguns deles a poucos dias do parto. A história nos EUA começou em 2019, quando Renata foi convidada a participar de um programa de pesquisa na Mayo Clinic, em Jacksonville, na Flórida. O plano B dela era continuar tentando até conseguir uma vaga. A médica – que agradece à família e aos professores da FMJ – conversou com o Jundiaí Agora:

Você é jundiaiense?

Nasci em São Paulo e me mudei para Campinas com três anos. Morei lá a maior parte da minha vida antes de me mudar para os Estados Unidos.

E quando estudou na Faculdade de Medicina de Jundiaí?

Estudei na FMJ em 2008 e 2009. Eu me formei na 36ª turma. Fui transferida para lá no meu quinto ano e tive a oportunidade de fazer meu internato com professores incríveis, alguns inclusive da mesma época dos meus pais. Meu pai foi professor de cirurgia da FMJ e minha mãe fez parte da primeira turma da faculdade, o que tornou essa experiência ainda mais especial para mim e minha família. 

Naquela época pensava em trabalhar nos Estados Unidos?

Não! Depois de me formar, fiz residência em Oftalmologia e minha especialização no Hospital das Clínicas, em São Paulo. Cheguei a ter meu próprio consultório, mas em uma das visitas à minha irmã, que já morava nos EUA e também revalidou o diploma, pude conhecer de perto a rotina dela e entender melhor como funciona a medicina aqui. Foi ali que me apaixonei e decidi correr atrás desse sonho.

Achou, em algum momento, que não passaria pelo processo seletivo e validação do diploma nos EUA?

Sim, em vários momentos tive medo e insegurança de que o processo não desse certo. É um caminho longo, difícil, caro e sem nenhuma garantia no final. Mas o apoio da minha família, principalmente do meu marido, foi essencial para eu seguir em frente. E meus filhos, mesmo pequenos e sem entender muito, sempre me deram força para continuar e acreditar que daria certo e eu sairia vitoriosa no final. 

Tinha um plano B?

Sinceramente, se não desse certo, meu plano B seria continuar tentando e fortalecendo meu currículo até conseguir. Voltar para o Brasil não era uma opção, já que meu marido é americano e nossa vida está toda aqui. Graças a Deus não precisei de um plano B, e tudo deu certo com muito esforço e dedicação.

Quais serão seus próximos passos?

Meus próximos passos são começar a residência em julho de 2026, que tem duração de três anos. Depois disso, penso em me especializar em alguma das várias áreas dentro da medicina de família. Tenho bastante interesse em cuidados paliativos e também em medicina do sono, mas ainda quero aprender mais e experimentar diferentes áreas antes de decidir com certeza qual caminho seguir após a residência.

O que exatamente faz um especialista em Medicina de Família?

Um médico de Medicina de Família nos EUA é responsável por cuidar do paciente de forma completa e ao longo do tempo, atendendo desde crianças até idosos. Ele realiza consultas de rotina, prevenção, diagnóstico e acompanhamento de doenças crônicas, além de tratar problemas agudos comuns e oferecer cuidados básicos de saúde mental e da mulher. Também pode realizar pequenos procedimentos no consultório e, quando necessário, encaminhar para especialistas, coordenando todo o cuidado do paciente. É uma especialidade ampla, com foco em prevenção e visão integral do paciente.

Como você deve saber, no Brasil há uma corrente política que defende o SUS. Outra usa os Estados Unidos como exemplo para que o SUS seja extinto. Como é a saúde para os estadunidenses pobre?

Nos Estados Unidos, o acesso à saúde para pessoas de baixa renda é mais limitado e depende muito de programas públicos e da situação individual. Diferente do SUS no Brasil, não existe um sistema universal para todos, então muitos precisam de seguro de saúde para conseguir atendimento com menor custo. Para a população mais pobre, existe o Medicaid, que cobre pessoas de baixa renda (com regras que variam por estado). Já para pessoas com 65 anos ou mais, há o Medicare, um programa federal que ajuda a cobrir custos de saúde independentemente da renda, embora não seja totalmente gratuito. Mesmo com esses programas, ainda pode haver custos como mensalidades, coparticipações e franquias, o que faz com que alguns pacientes, especialmente os mais vulneráveis, infelizmente ainda enfrentem dificuldades no acesso aos cuidados de saúde.

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