Quem cursou o ginásio lá pelos idos dos anos 70(ou antes) com certeza participou pelo menos uma vez na vida de um desfile de 7 de Setembro e certamente tem alguma lembrança (boa ou má) desta data. As escolas se esmeravam nos preparativos e organização. Meses antes já começávamos a ouvir o toque das fanfarras e os ensaios transcorriam por dias e dias. O bairro todo ouvia o som característico das caixetas, surdos, pratos. E por falar no Dia da Independência, me veio na lembrança a vez que desfilei como guarda-bandeira pela minha escola. Pode parecer bobagem, mas para mim foi um momento mágico, que até hoje guardo com saudade e carinho.

Confesso que me senti muito importante por ter sido escolhida como guarda-bandeira, afinal, era uma posição de destaque. Desfilei ao lado do pavilhão nacional, dividindo a responsabilidade com outra colega. Mas naquela manhã, daquele 7 de Setembro, uma frente fria derrubou as temperaturas e tivemos de marchar atravessando um vento geladíssimo. Desfilei do início ao fim batendo o queixo, mas valeu a pena.

Há quatro, cinco décadas, essa data cívica tinha um peso muito grande nas escolas. Os preparativos começavam cedo, com organização das turmas, definição das posições no desfile e até ensaios eram realizados pelas ruas. Havia briga para ver quem iria participar das fanfarras. Hoje, em tempos de pandemia, o desfile foi varrido do calendário por causa do risco de contágio. E essa tradição vai perdendo gradativamente o seu brilho.

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Para mim, naqueles distantes anos 70, o desfile não tinha um significado tão profundo em termos de civismo. Era um momento de grande alegria e expectativa, que nos tirava da rotina da sala de aula. Quando fiquei mais velha, passei a considerar o desfile cívico como uma caretice e, ao chegar à faculdade de Jornalismo, para mim virou uma demonstração de nacionalismo exacerbado e autoritarismo militar, com a apresentação dos tanques e viaturas do Exército.

Isso serve para mostrar como vamos mudando o nosso modo de ver e avaliar o mundo ao nosso redor. Ficamos mais velhos, carregamos mais e mais lembranças e passamos a dar maior ou menor importância para determinadas coisas. O Dia da Independência teve vários significados na minha vida, dependendo do meu momento e do contexto histórico e social do país. Mas aquele desfile nos anos 70, com certeza, se mantém intacto na minha memória. Pena que o som das fanfarras foi silenciado pela pandemia.(Foto: Ideal/professor Maurício Ferreira)

VÂNIA ROSÃO

Formada em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero. Trabalhou em jornal diário, revista, rádio e agora aventura-se na Internet.

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