Pela ata da última reunião do Compac(Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Jundiaí), realizada no dia 4 deste mês, a Prefeitura já está se preparando para receber o acervo do Gabinete de Leitura Ruy Barbosa, que encerrou as atividades em dezembro do ano passado. Por enquanto, a direção do Gabinete segue tentando vender parte do acervo para conseguir pagar os direitos trabalhistas de três funcionárias. Uma coleção de aquarelas do pintor Diógenes Duarte Paes já foi comprada pela Prefeitura e será transferida para a Pinacoteca, que leva o nome do artista. O Estatuto do Gabinete de Leitura determina que, em caso de encerramento de atividades, o imóvel seja repassado para o município. Até a assembleia derradeira entre associados e direção, os representantes da instituição buscam recursos e até mesmo um patrocinador que assuma as despesas mensais de cerca de R$ 20 mil e a reforma no prédio estimada em R$ 2 milhões. Se nada mudar, as peças que não forem vendidas também deverão ser doadas para a Prefeitura. Quanto ao imóvel, existe a especulação de que poderá se tornar um centro de memórias e arquivo municipal.
A discussão na reunião do Compac surgiu após a professora Regina Kalman enviar um e-mail para o prefeito Luiz Fernando Machado pedindo para que a municipalidade assuma o Gabinete. O conselheiro Paulo Vicentini, que é o diretor do Museu Solar do Barão, explicou como estão as negociações entre a Prefeitura e o Gabinete. Quando o acervo for recebido, de acordo com ele, será higienizado, catalogado e digitalizado pelo Departamento de Arquivos e Museus. A partir daí, o acervo será disponibilizado.

Aquarelas – A compra das telas do artista Diógenes Duarte Paes foi publicada pela Imprensa Oficial de 22 de maio último, pela Unidade de Gestão de Cultura(UGC) que pagará R$ 112.500,00. O acervo será transferido para a Pinacoteca, que fica na rua Barão. Lá, depois de higienizado, será exposto. Em nota, a Prefeitura afirmou que “foi feito processo de avaliação prévio dos quadros antes da autorização para a compra”. Sobre o prédio, oficialmente, o Poder Público aguarda a doação para avaliá-lo.
Na justificativa da compra da coleção, a UGC afirma que o artista tinha talento indiscutível na pintura, desenhos e literatura. “As obras têm grande importância para a cidade, destacando-se o conjunto de aquarelas da ‘Série Folclórica’, que apresentam cenas do cotidiano ocorridos no interior de ambientes domésticos e públicos. Nelas é possível identificar a preferência do artista pelos personagens humanos, além de retratar valores sociais e culturais de uma Jundiaí nas primeiras décadas do século 20”.
Adriana Zutini, provavelmente a última presidente do Gabinete, explicou que a venda dos quadros foi definida em setembro de 2023, antes da decisão do fechamento do Gabinete. “Iríamos usar o dinheiro para pagar as rescisões de duas funcionários e parte que devemos para uma terceira. Todas têm carteira assinada. Só que agora estes R$ 112 mil não são mais suficientes. O dinheiro não chegou a tempo e a nossa dívida é de R$ 170 mil”, disse. De acordo com ela, depois que os débitos forem pagos acontecerá uma assembleia com os 160 associados que pagam R$ 60 por mês. “Só então é que será oficializada a transferência do imóvel para a Prefeitura. Se a administração pública não quiser o que sobrou do acervo, vamos doar tudo”, afirmou ela no dia 26 de maio. O Gabinete conta com acervo de aproximadamente 55 mil livros e era o último do estado funcionando sem repasse de poder público.

Golpe e esperança – A direção do Gabinete vinha oferecendo peças do acervo, como móveis, através das redes sociais. Até que as da presidente foram hackeadas. “Temos um piano avaliado em R$12 mil. Estávamos tentando vendê-lo por R$ 6 mil. Um hacker, passando-se por mim, vendeu o piano. Uma pessoa pagou o que ele pediu. Procurei uma delegacia e fiz um boletim de ocorrência”, contou Adriana. As vendas foram suspensas. “Pretendíamos fazer um bazar no dia 25 de maio. Por tudo o que aconteceu, achamos melhor suspendê-lo”, explicou. As vendas continuam paradas.
Adriana Zutini ainda consegue ter esperança. De acordo com ela, o custo mensal do Gabinete é de R$20 mil. O prédio precisa de reformas avaliadas em R$2 milhões já que está com problemas de goteiras, precisa de saída de emergência e também obras de acessibilidade. “Diferentemente de outras instituições, não temos dívidas grandes. Temos que fazer as rescisões contratuais. De repente existe alguém ou uma entidade que deseje patrocinador o Gabinete. Se isto acontecesse, voltaríamos a funcionar”, afirmou ela.(Foto: Gabinete de Leitura Ruy Barbosa)
VEJA TAMBÉM
PUBLICIDADE LEGAL É NO JUNDIAÍ AGORA
ACESSE O FACEBOOK DO JUNDIAÍ AGORA: NOTÍCIAS, DIVERSÃO E PROMOÇÕES