Antes de qualquer diploma, pauta ou deadline, minha história como jornalista começou onde quase tudo começa: em casa. Meus primeiros “editores” foram meus irmãos — Vanilson (o Véio) e Shirlene (a Shill). O Véio sempre gostou de ler, principalmente palavras cruzadas. E foi ele quem, antes mesmo dos meus quatro ou cinco anos, me levava quase semanalmente à banca de jornal. Ele saía com a revista Placar… e eu, com meus gibis — um acordo editorial justo.
Já a Shill revezava na missão de ler as histórias para mim. Até que, provavelmente cansados da função (kkk), resolveram fazer algo mais eficiente: me ensinaram a ler. Resultado? Minha primeira “cartilha” foi nada menos que a Turma da Mônica, do Maurício de Sousa. Nada mal como início de carreira.
Aos seis anos, entrei na primeira série do Sesi 179, mantido pela antiga Sifco do Brasil. Cheguei sabendo ler, mas escrever ainda era um desafio. Com o empenho da minha “irmãe” Shill, logo aprendi.
Minha primeira composição solo foi sobre a chuva. Era 1978. Dona Elza — minha professora — deu o tema naquela manhã chuvosa. Escrevi, ainda desenhei uma plantinha sendo molhada e entreguei. Ela corrigiu (sim, naquela época o professor corrigia mesmo e ninguém achava absurdo) e pediu para falar com a minha irmã, que havia sido aluna dela anos antes.
Eu? Em pânico. Nem passava papel por baixo da porta de tanto medo interno — e olha que nem existia Wi-Fi nessa “pré-história” da educação.
Não sei o que conversaram. Só sei que, em casa, a Shill perguntou se eu tinha mesmo escrito a composição e falou que a dona Elza elogiou. Confesso: o sentimento dominante foi alívio. Eu não estava sendo acusado — estava sendo reconhecido.
Na terceira série, enfrentei um dos maiores desafios da minha carreira: escrever “dez”. Saía “déis”. A Shill, didática como sempre, me fez escrever “dez” mil vezes. Nunca mais esqueci. (Embora, vez ou outra, eu ainda escorregue… e ela corrige com gosto). Não julgue… Tenho outros gatilhos que é confundir P com B e também F com V.
No ginásio, na oitava série, tive a honra de ser aluno do professor José Maria Magalhães Filho. Foi ali que a sementinha do jornalismo encontrou terra fértil.
O Zé tinha uma dinâmica de três cadernos: gramática, análise sintática e morfológica (que parecia uma equação cheia de chaves e colchetes) e redação. Foi com ele que conheci Luiz Fernando Veríssimo e passei a admirar também Érico Veríssimo.
Com ele não havia limite de linhas nas redações — e eu aproveitava. Muitas histórias nasceram ali, em folhas de caderno que viraram páginas de aventuras e humor.
Nesse mesmo período, na aula de Educação Artística, com a dona Clotilde (saudade imensa) ela propôs uma “Entrevista Imaginária” e podia ser sobre qualquer objeto, situação, sentimento ou o que a criatividade mandasse. Resolvi fazer sobre o desastre de Chernobyl. Meu entrevistado era o próprio reator, internado na UTI, explicando seus “ferimentos”, com base na matéria da Revista Veja, que o meu irmão Valdegi assinava (sempre é bom trabalhar com fatos e não especulação). Resultado: AE — Avanço Excelente (Sesi tinha uma metodologia de nota diferenciada). Ali eu já flertava com o jornalismo sem saber.
Aos 18 anos, fui trabalhar na gráfica do Jornal de Jundiaí, no ´past up’ (montagem do jornal em papel couchê). Entrei em outubro e, em janeiro, surgiu uma vaga na redação para diagramador. O convite veio do Luiz Ricardo Silva, que estudava na PUCC e estava migrando para o texto.
Mas a virada veio quando levei meu sobrinho mais velho, o Nando, para assistir a uma peça infantil. Resolvi escrever uma crítica positiva sobre o espetáculo. Entreguei para a editora de Variedades, Mônica Gropelo. Ela gostou… e publicou.
Quando percebi, já estava cumprindo a pauta.
Nessa fase, conheci Denise Oliveira, que me convidou para um freelancer na Secretaria da Cultura, substituindo Celso de Paula, que estava em licença para disputar a eleição para vereador.
Foram dias intensos: saía da Secretaria, descia para o Jornal da Cidade, onde segui após passar pelo JJ, e cumpria dupla jornada. E foi nesse ritmo que contei com as orientações — e broncas — do chefe de reportagem Luiz Alberto Lessi. Às vezes arrancava o couro, mas sabia reconhecer e elogiar na hora certa.
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Precisei interromper tudo por conta da quimioterapia em 2005, depois de ter passado pelo saudoso Diário do Povo de Campinas, Revista Fora de Estrada, em São Paulo e retornado ao JC. E, ao final desse processo, tomei uma decisão: fazer faculdade de jornalismo na Faccamp.
Foi ali que conheci o professor Nilton Pavin.
Ele acreditou em mim mais do que eu mesmo. Me levou para ser assistente na revista Giro das Estradas, me ensinou jornalismo de forma mais ampla, além de insistir que o meu TCC de graduação fosse voltado à comunicação, fazer diferente de todo mundo. Nisso nasceu o Manual de Gestão de Crise para Jornalistas Principiantes. Ah, Pavin também ensinou a apreciar um bom vinho.
E me deixou um mantra que carrego até hoje:
“Venda o seu trabalho, jamais a sua consciência.”
Voltei para a redação, até sair por motivos de força maior — atraso constante de salário. Fui para a assessoria de imprensa política com Ary Fossen, na Assembleia Legislativa de São Paulo. Com ele, aprendi disciplina e organização.
Depois, entrei na assessoria da Prefeitura de Jundiaí, no governo de Pedro Bigardi, onde reencontrei Denise Oliveira, responsável pela pauta e organização das coberturas das secretarias de governo municipal.
Fiquei seis meses até receber o convite do próprio prefeito para atuar como secretário executivo no gabinete — sem abandonar o jornalismo. O aprendizado foi ter sempre respeito pelo adversário, pois não são inimigos.
Passei também pela gastronomia, outra paixão, até que, em 2021, em plena pandemia, entrei na Assessoria de Imprensa da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP).
Fui indicado por Valéria Nani e nunca esqueço da entrevista por Teams com Patrícia Bomfim, Deborah Trevisan e Lúcia Saito, coordenadora geral da época. A Pati até hoje, lembra que foi diferente. Eu estava sorrindo e a vídeo chamada foi descontraída e leve.
Desde 8 de abril, sigo nessa equipe, que inclusive é hoje.
No primeiro ano, atuei no gabinete, monitorando a Covid nas unidades escolares. Depois, retornei ao atendimento à imprensa. A equipe mudou ao longo do tempo.
Em 2023, chegaram Cíntia Ruiz, na coordenação geral — amor na primeira demanda — e Renata Silva, que voltou para coordenar o atendimento. Quando trabalhamos antes no da saída dela, nosso santo não batia… hoje, se deixar, a gente fecha até no boteco astral.
E agora, paralelo com a Assessoria de Imprensa, quinzenalmente, a convite do Marco Sapia, estou por aqui no Jundiaí Agora contando as aventuras e desventuras do jornalismo jundiaiense que fiz parte nos anos 1990 e 2000.
Porque o jornalismo é isso!
Está em todo lugar. Em todo momento. É dinâmico. Às vezes pressionado, às vezes usado, às vezes silenciado.
Mas a verdade…
A verdade não muda.
E precisa ser contada.
Feliz Dia do Jornalista
Aos amigos, colegas e a todos que vivem essa profissão inquieta e necessária:
Que nunca nos falte coragem…
nem consciência.

MIGUEL ÉDI GOMES
É jundiaiense, tem 54 anos. É formado em jornalismo pela UniFaccamp e atualmente faz parte da equipe da Assessoria de Imprensa da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.
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