O mercado imobiliário de imóveis residenciais usados na Região Metropolitana de Jundiaí(RMJ) apresentou retração em agosto último, interrompendo o movimento de recuperação registrado no mês anterior. De acordo com o resumo da pesquisa, as vendas diminuíram 22,27%, enquanto as locações recuaram 43,67%. O resultado indica desaceleração da atividade após o forte crescimento observado em julho, quando as vendas haviam avançado 28,91% e as locações registraram alta de 84,43%. A comparação entre os dois meses demonstra que o mercado permanece sujeito a oscilações importantes, influenciado pelas condições de crédito, pelo nível de renda das famílias, pelos preços dos imóveis e aluguéis e pela confiança de compradores, proprietários, investidores e locatários.
Mesmo diante da retração, o mercado continua apresentando demanda por imóveis usados. A movimentação registrada em agosto revela, principalmente, uma concentração das negociações em unidades de padrão intermediário, com destaque para casas de dois dormitórios, apartamentos de dois dormitórios e imóveis localizados nas demais regiões, fora das áreas centrais e nobres.
Casas ampliam participação nas vendas – As casas representaram 67% das vendas realizadas em agosto, enquanto os apartamentos responderam por 33%. O resultado reforça a predominância das casas no mercado regional e amplia a participação desse tipo de imóvel em relação a julho, quando as casas haviam correspondido a 52% das negociações.
Entre as casas vendidas, houve forte concentração nas unidades de dois dormitórios, que representaram 66,7% das negociações. As casas de três dormitórios corresponderam a 33,3%, enquanto não foram registradas vendas de imóveis com até um dormitório ou com quatro ou mais dormitórios.
Esse perfil demonstra uma procura mais direcionada a imóveis familiares de tamanho intermediário. A predominância de casas de dois dormitórios também pode refletir a necessidade de adequação entre o espaço oferecido e a capacidade de pagamento dos compradores, especialmente em um cenário de crédito mais seletivo e de custos elevados para aquisição e manutenção da moradia.
Dois dormitórios – Os apartamentos corresponderam a 33% das vendas de agosto. Entre as unidades negociadas, 100% possuíam dois dormitórios. Não foram registradas vendas de apartamentos com até um dormitório, três dormitórios ou quatro ou mais dormitórios. A área útil dos apartamentos vendidos também apresentou concentração significativa. Os imóveis de até 50 metros quadrados representaram 71% das negociações, enquanto aqueles entre 51 e 100 metros quadrados corresponderam a 29%. Não houve registros de vendas de apartamentos com mais de 100 metros quadrados.
O resultado aponta para uma demanda voltada principalmente a unidades compactas e de manutenção mais previsível. Apartamentos menores podem apresentar maior facilidade de negociação por exigirem menor volume de recursos, tanto na compra quanto nas despesas mensais de condomínio, impostos e manutenção.
Entre R$ 301 mil e R$ 400 mil – A faixa de preço entre R$ 301 mil e R$ 400 mil concentrou 40,9% das vendas realizadas em agosto. Os imóveis acima de R$ 501 mil responderam por 27,3% das negociações, enquanto as unidades entre R$ 201 mil e R$ 300 mil representaram 13,6%. A mesma participação foi observada na faixa entre R$ 401 mil e R$ 500 mil.
Os imóveis de até R$ 200 mil corresponderam a 4,5% das vendas. A distribuição mostra que o segmento intermediário, especialmente entre R$ 301 mil e R$ 400 mil, foi o principal responsável pelas negociações do mês.
Em comparação com julho, quando os imóveis acima de R$ 501 mil haviam concentrado metade das vendas, o perfil de agosto indica uma migração para faixas de preço mais acessíveis. Essa alteração pode estar relacionada à predominância de casas de dois dormitórios, apartamentos compactos e imóveis com áreas úteis intermediárias.
A participação de 27,3% dos imóveis acima de R$ 501 mil demonstra, contudo, que ainda existe movimentação em faixas de valor mais elevado. A presença desses negócios pode estar associada a casas maiores, imóveis melhor localizados ou unidades que apresentam características diferenciadas, como terrenos amplos, padrão construtivo superior ou localização estratégica.
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