Setembro chega trazendo uma palavra que atravessa a nossa história: independência. No dia 7, celebramos a Independência do Brasil, um momento que simboliza liberdade, autonomia e a construção de um país capaz de decidir seus próprios caminhos. Mas talvez seja possível olhar para essa palavra por uma perspectiva ainda mais cotidiana: o que significa ser livre? Para muitas pessoas LGBT+, liberdade também está na possibilidade de viver a própria identidade sem precisar pedir autorização para existir. Está em escolher quem amar, como construir sua família, qual caminho profissional seguir e, principalmente, em poder ocupar espaços sem abrir mão de quem se é.
Independência é poder olhar para a própria história e dizer: eu pertenço a mim. A trajetória da população LGBT+ é também uma história de resistência e transformação. Pessoas que, muitas vezes, precisaram abrir caminhos onde não havia estrada hoje ocupam universidades, empresas, hospitais, escolas, espaços de liderança, arte, cultura, esporte e política. São profissionais, empreendedores, artistas, pesquisadores, servidores públicos, mães, pais, filhos e cidadãos que contribuem diariamente para o desenvolvimento da nossa sociedade.
E talvez uma das maiores forças da diversidade esteja justamente na capacidade de transformar a própria existência em potência. Ser LGBT+ não define os limites de ninguém. Uma orientação sexual ou uma identidade de gênero não determina inteligência, caráter, competência, criatividade ou capacidade de realização. Cada pessoa carrega possibilidades que vão muito além de qualquer sigla.
Por isso, quando pensamos em independência, podemos pensar também em autonomia: autonomia para construir a própria trajetória, fazer escolhas, ocupar espaços e sonhar com o futuro. Liberdade não é apenas poder ir embora de algum lugar. É também poder escolher onde queremos chegar. É poder viver um amor, construir uma carreira, formar uma família, expressar-se, criar, liderar e deixar uma marca positiva no mundo. É não permitir que expectativas alheias determinem o tamanho dos nossos sonhos.
O 7 de Setembro nos lembra que um país se constrói quando pessoas acreditam na possibilidade de um futuro diferente. E a população LGBT+ também tem participado dessa construção, não apenas reivindicando direitos, mas produzindo conhecimento, cultura, trabalho, inovação, afeto e transformação. Talvez independência seja exatamente isso: deixar de viver segundo aquilo que esperam de nós e começar a construir aquilo que verdadeiramente desejamos ser. Que possamos celebrar uma liberdade que não seja apenas uma palavra escrita nos livros de história, mas uma experiência presente na vida de cada cidadão.
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Uma liberdade que permita a todos caminhar de cabeça erguida, ocupar seu lugar e reconhecer a própria potência. Porque uma sociedade verdadeiramente independente não é aquela que apenas conquistou sua autonomia diante de outro país. É aquela em que cada pessoa pode ser dona da própria história. E talvez essa seja uma das formas mais bonitas de celebrar a independência: lembrar que ser livre também é ter coragem para ser inteiro.(Foto: Marcello Casal/Agência Brasil)

LUCAS ANZOLIN
Formado em Gestão de Recursos Humanos e pós-graduado em Saúde Mental, Psicoterapia, Gênero e Sexualidade. Atua há 10 anos como terapeuta, palestrante e instrutor de cursos voltados à saúde mental, práticas integrativas e complementares (PICS), autoconhecimento e bem-estar. Também é Assessor de políticas para LGBT em Jundiaí dentro do núcleo de Articulação de Direitos Humanos(Instagram: lucas_anzolin)
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