IoT revoluciona a pecuária brasileira

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Quando você pensa em tecnologia de ponta, o gado no pasto provavelmente não é a primeira imagem que vem à cabeça. Mas a verdade é que a pecuária brasileira está vivendo uma revolução silenciosa: o gado está se tornando conectado, e a IoT(Internet das Coisas) é a protagonista.

O rastreamento bovino é simples: colocar em cada animal um pequeno dispositivo — geralmente um brinco inteligente ou um colar — que funciona como um “relógio inteligente do boi”. O aparelho coleta informações continuamente: onde o animal está, quanto se move, qual sua temperatura corporal. E envia tudo para a internet, direto para o celular do fazendeiro.

As tecnologias variam, mas o princípio é o mesmo: sensores, conectividade e inteligência artificial.

A iBOI, uma das empresas mais proeminentes do setor, desenvolveu um brinco inteligente com GPS em tempo real, monitoramento térmico e pedômetro — que analisa o comportamento do animal, como se ele estivesse andando, comendo ou deitado. Como muitas fazendas ficam longe das antenas das operadoras, a empresa constrói infraestrutura de telecomunicações privada dentro das próprias fazendas.

A Spacevis usa brincos com redes de longo alcance (até 20 km) e GPS via satélite. O sistema cria “cercas virtuais”: se o gado sai da área delimitada, o fazendeiro recebe alerta na hora. Uma central com inteligência artificial monitora o comportamento dos animais 24 horas por dia.

A Instabov, startup brasileira fundada em 2018, usa colares com GPS e IA para rastrear o rebanho em tempo real, manter o histórico de movimentação e até fazer o inventário automatizado do gado — sem contar cabeça por cabeça no curral.

Já a Taggen, em parceria com a Embrapa, usa redes IoT e Bluetooth para automatizar a coleta de dados de movimentação, voltados para auditorias socioambientais e conformidade sanitária.

Nem toda tecnologia exige dispositivo no animal. Brincos eletrônicos com RFID, difundidos por empresas como Allflex e Primaza, funcionam por leitura no curral — o animal precisa passar por um bastão ou painel de leitura. E startups como a Olho do Dono apostam em câmeras 3D com inteligência artificial instaladas nos corredores de passagem, que pesam e avaliam o gado sem estresse, sem tocar no animal.

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Os benefícios são concretos: combate ao roubo de gado (problema histórico no Brasil), rastreabilidade sanitária exigida pelos mercados importadores, detecção precoce de doenças pelo comportamento do animal e melhor gestão do pasto. Para o consumidor, o resultado chega à mesa: carne com origem comprovada, produzida com mais transparência.

A pecuária de precisão é mais uma prova de que a IoT não está apenas nas cidades e nas fábricas — ela está no campo, transformando uma das atividades mais tradicionais do Brasil. A ABINC, onde atuamos, acompanha esse movimento e trabalha para que a conexão entre o campo e a tecnologia siga avançando em todo o país.(Foto: abes.org.br)

ROGÉRIO MOREIRA

É presidente da ABINC(Associação Brasileira da Internet das Coisas). É engenheiro eletrônico e mestre em administração de empresas. Atua profissionalmente na área de dispositivos semicondutores pela empresa americana Microchip Technology. É professor universitário da UniAnchieta em Jundiaí. Nasceu na cidade de São Paulo, e mora em Jundiaí há 33 anos.

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