JOGOS VIVENCIAIS transformam pessoas e equipes

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Você realmente conhece sua equipe ou conhece apenas a versão dela sentada em uma reunião? É durante uma experiência prática que surgem muitos dos comportamentos mais genuínos: quem lidera naturalmente, quem escuta, quem coopera, quem evita conflitos e quem encontra soluções criativas. Vivemos um momento em que as organizações investem cada vez mais em capacitação. São cursos, palestras, treinamentos técnicos e programas de desenvolvimento que, sem dúvida, agregam conhecimento. Mas existe uma pergunta que merece ser feita: conhecimento, por si só, muda comportamento? A resposta, na maioria das vezes, é não. As pessoas não se transformam apenas porque ouviram uma boa teoria. Elas se transformam quando vivem experiências capazes de gerar reflexão, emoção e significado e é exatamente nesse ponto que entram as dinâmicas e os jogos vivenciais. Há quem associe dinâmicas a “quebra-gelos”, brincadeiras ou momentos para preencher tempo. Mas, quando bem planejadas e conduzidas, tornam-se ferramentas poderosas de desenvolvimento humano e análise comportamental.

Quando falamos em desenvolvimento de colaboradores, é importante compreender um princípio fundamental da andragogia, teoria que estuda a aprendizagem de adultos. Diferentemente da pedagogia tradicional, baseada na transmissão do conhecimento, a andragogia parte do pressuposto de que os adultos aprendem melhor quando participam ativamente do processo, relacionando novos conhecimentos às suas experiências de vida e de trabalho. Sob essa perspectiva, aprender deixa de ser um ato passivo de receber informações e passa a ser um processo ativo de experimentar, refletir e atribuir significado às próprias vivências. É justamente por isso que os jogos vivenciais são tão eficazes no desenvolvimento de adultos.  Um jogo vivencial não tem como objetivo descobrir quem é o mais rápido, o mais inteligente ou o mais competitivo, seu verdadeiro propósito é criar um ambiente em que comportamentos, padrões de relacionamento, comunicação e tomada de decisão possam emergir de forma espontânea.
O mais interessante é que esses comportamentos não são impostos, eles simplesmente aparecem. Diante de uma experiência como essa, muitas das máscaras que utilizamos no ambiente profissional tendem a perder força, permitindo que cada participante expresse, com mais autenticidade, sua forma de agir, pensar e se relacionar, nesse espaço de autenticidade que nasce a oportunidade de aprendizado.

Após cada atividade, existe um momento fundamental: o debriefing. Nesse espaço de conversa que a experiência ganha significado, pois, o facilitador conduz reflexões, conecta o que foi vivido à realidade da empresa e incentiva cada participante a reconhecer seus próprios padrões de comportamento. Não se trata de julgar quem fez certo ou errado, mas de compreender como cada escolha impacta o grupo e quais aprendizados podem ser levados para o dia a dia. É justamente nesse momento que mora a essência do desenvolvimento humano.

Jogos vivenciais não existem para expor fragilidades, constranger participantes ou rotular pessoas. O propósito deles é oferecer um ambiente seguro para que cada indivíduo observe a si mesmo, reconheça seus recursos, identifique pontos de desenvolvimento e compreenda como suas atitudes influenciam o coletivo. Afinal, comportamento não é um problema a ser corrigido, mas uma informação valiosa sobre a forma como cada pessoa percebe o mundo, estabelece relações e responde aos desafios. Antes de desenvolver competências, é preciso desenvolver consciência.

Mais do que ensinar técnicas, os jogos vivenciais desenvolvem competências que dificilmente seriam consolidadas apenas em uma sala de aula: comunicação, escuta ativa, colaboração, inteligência emocional, confiança, criatividade, adaptabilidade e liderança. Em um cenário em que as habilidades comportamentais se tornam cada vez mais valorizadas, experiências como essas deixam de ser um diferencial para se tornarem uma necessidade. Entretanto, vale um alerta: nem toda dinâmica gera desenvolvimento! Atividades sem objetivo claro, sem conexão com a realidade da equipe ou sem uma condução qualificada podem se transformar apenas em entretenimento.

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O que faz de uma dinâmica uma poderosa ferramenta de aprendizagem não é o jogo em si, mas a intencionalidade que a sustenta e a qualidade da reflexão que ela desperta. As empresas não são feitas apenas de processos, metas e indicadores… são feitas de pessoas e pessoas não aprendem apenas ouvindo, aprendem sentindo, experimentando, errando, refletindo e construindo juntas. Talvez o maior resultado de uma dinâmica não seja o desafio concluído ou a atividade realizada, mas a consciência que nasce depois dela. Equipes de alta performance não são construídas apenas com processos eficientes, são construídas quando cada pessoa compreende o seu papel, reconhece o impacto das próprias atitudes e percebe que o sucesso coletivo depende da forma como escolhem caminhar juntas.

ROBERTA TEIXEIRA PERES

Gestora, terapeuta holística, especialista em desenvolvimento humano, Eneagrama. pós-graduada em neuromarketing e PNL Aplicada em gestão de pessoas.

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