Por que o trabalhador precarizado defende políticas que aprofundam sua própria exploração? Por que o morador da periferia apoia a redução da maioridade penal que encarcerará seus filhos? Por que a mulher negra vota em líderes que demonizam as religiões de matriz africana? A cruz e o espelho não se contenta com respostas fáceis. O livro do filósofo e educador José Felicio Ribeiro De Cezare, radicado em Jundiaí, mergulha nas camadas mais profundas da subjetividade colonial para desvendar o que o autor chama de “o enigma da adesão contraditória”: a tragédia de o oprimido combater os próprios oprimidos. A obra será lançada hoje(11), 16 horas, na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no estande da Editora In House(rua B65, Distrito Anhembi).
Em mais de 100 páginas de análise rigorosa e escrita envolvente, José Felicio percorre um espectro teórico que vai de Hannah Arendt e Frantz Fanon a Nego Bispo e Nancy Fraser, passando por Paulo Freire, Jürgen Habermas e Norberto Bobbio. Mas A cruz e o espelho não é um tratado acadêmico distante da realidade. É um livro que:
- Diagnostica as engrenagens psíquicas e simbólicas que capturam o desejo popular e o dirigem contra seus legítimos portadores — do totalismo ideológico de Lifton à banalidade do mal em versão tropical, da ferida colonial à cosmofobia denunciada por Nego Bispo.
- Propõe caminhos concretos de superação: educação emancipadora, democratização da comunicação, enfrentamento à intolerância religiosa, políticas de redistribuição e reconhecimento e, no centro, a Renda Básica de Cidadania como fundamento para o exercício efetivo da liberdade.
- Oferece um guia prático de diálogo com eleitores da extrema-direita — estratégias reais, com exemplos de conversa, que mostram como acolher a raiva e redirecioná-la para os verdadeiros algozes, sem cair em armadilhas.
- Convoca à ação: por que votar na esquerda? Não como panfleto, mas como argumentação ancorada em evidências históricas e na defesa intransigente da vida contra a fetichização do mercado.
Escrito com a urgência de quem sabe que “os tempos sombrios não nos autorizam o conforto da teoria pela teoria”, A cruz e o espelho é leitura indispensável para educadores, ativistas, políticos, líderes comunitários e todos os que se recusam a aceitar o inaceitável.
O pobre que adere à extrema-direita, nos ensina o autor do livor, não é um alienado, nem um monstro moral. É, antes de tudo, um sintoma de feridas coloniais jamais cicatrizadas, de desigualdades que humilham cotidianamente, de narrativas que capturam o desejo. Compreender essas engrenagens é o primeiro passo para desarmá-las.

Sobre o autor – José Felicio Ribeiro De Cezare(foto ao lado) é historiador e educador, com atuação em formação de professores e pesquisa acadêmica. Também escreve quinzenalmente no Jundiaí Agora. A Cruz e o Espelho é fruto de anos de inquietação diante de um fenômeno que a academia e a militância muitas vezes trataram com respostas rasas. O livro nasceu “no barulho das conversas de calçada, nos encontros de fim de semana, nos cafés das salas de professores, no espanto repetido de anos diante de uma constatação que recusava se dissipar”.
VEJA TAMBÉM
PUBLICIDADE LEGAL É NO JUNDIAÍ AGORA
ACESSE O FACEBOOK DO JUNDIAÍ AGORA: NOTÍCIAS, DIVERSÃO E PROMOÇÕES










