A MÃE É ETERNA, O PAI É IMORTAL. A frase de Mia Couto…

mia couto

Estava com a frase: “A mãe é eterna, o pai imortal”, de Mia Couto, escritor e biólogo moçambicano, que lera em um grupo de simpatizantes dele, quando o adolescente, de 14 anos, me chamou com expressão de criança carente. Contou-me que falara com o pai pelo celular do tio. Percebi-o emocionado. O pai aceitou que fosse visitá-lo. Indaguei se no próximo feriado prolongado. Não sabia. Talvez no final do ano. São muitas horas de viagem até lá.

De imediato me voltou a frase de Mia Couto pois, na minha ótica, mãe e pai têm importância igual na vida dos filhos. O papel que exercem, no entanto, é que inúmeras vezes difere. Muito mais comum mãe com presença e pai na distância. Que pena! Os nossos foram de permanência. Quanto mais os dias acontecem, mais agradeço a Deus pelos pais que tive e com quem quero me reencontrar no sempre do tempo do Senhor.

Há gente que me vê como quem entende de tudo e o jovenzinho é assim comigo desde menino. Começaram as perguntas dele. Considerei melhor averiguar na internet. Quantas horas teria que viajar até lá? Um dia mais ou menos, sem contar as paradas. Será que há rio na cidade do pai? Como não sabe o nome do território,citei aquele que mais me toca o coração: o rio Araguaia – atravessa o Estado citado – em cujas proximidades nasceram minha bisavó e a mãe da tribo dos Karajás. Corre sangue indígena sim nas minhas veias e me orgulho dele.

Mostrei-lhe que nasce perto do Parque Nacional das Emas, em Mineiros (GO) e deságua no Rio Tocantins. Faz a divisa natural primeiro entre os Estados de Mato Grosso e Goiás, depois entre Mato Grosso e Tocantins e finalmente entre Pará e Tocantins. Não se interessou muito, desejava saber se poderia nadar no rio e pescar.Precisaria me inteirar sobre o município para me informar se há rio ou não, contudo ele nem imagina. E os peixes? Mostrei alguns peixes como: pintado, piraíba, piau, tucunaré… E o maior deles? Pelo que pesquisei, a piraíba, que pode atingir três metros de comprimento e pesar até 200 quilos. Confirmou que era esse mesmo que pescaria, até que lhe disse que é conhecido como tubarão do rio pela semelhança de tamanho, formato do corpo, nadadeiras e cor da pele.

Que coisa: conversa sobre algo hipotético, pois nem se sabe a localidade do pai. Ficamos os dois conversando como se ele estivesse de passagem marcada e eu no percurso.

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O questionamento prosseguiu: haveria pipas lá? Em Belém, em 2019, houve o 4º Festival Nacional de Pipas, que reuniu participantes de 14 Estados, mas fica distante um dia de viagem do Estado em que o pai reside. Destaquei que os apaixonados por pipas, como ele, precisam utilizar materiais adequados e nada que possa colocar em risco a integridade física das pessoas, como linha chilena, linha com cerol, muito comum em suas proximidades. Concordou. Quis minha opinião a respeito do pai empinar pipa com ele. Em seguida lhe perguntei:

-Quando foi a última vez que você esteve com seu pai?

Respondeu-me com olhos no chão:

-Quando eu era bebê.(Foto: EBC)

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE

Com formação em Letras, professora, escreve crônicas, há 40 anos, em diversos meios de comunicação de Jundiaí e, também, em Portugal. Atua junto a populações em situação de risco.

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