Quando se fala em orgulho LGBT+, muitas pessoas pensam em grandes manifestações, bandeiras coloridas ou datas comemorativas. Tudo isso tem seu valor e sua importância. Mas, para mim, o orgulho também mora nas pequenas coisas. Naquelas que, para muita gente, passam despercebidas.
O orgulho está em poder caminhar de mãos dadas sem olhar para os lados com medo. Está em apresentar quem se ama à família ou aos amigos sem precisar medir as palavras. Está em colocar uma foto do casal sobre a mesa do trabalho e não sentir que precisa dar explicações. Está em responder, com naturalidade, quando alguém pergunta sobre a pessoa que divide a vida com você.
São gestos simples. Ou, pelo menos, deveriam ser.
Durante muitos anos, pessoas LGBT+ aprenderam a esconder partes de si. Não por escolha, mas por necessidade. Escondiam seus sentimentos, seus relacionamentos e, muitas vezes, seus sonhos. Aprenderam que, em determinados lugares, o silêncio parecia mais seguro do que a verdade. Por isso, aquilo que para muitos é apenas rotina, para outros representa uma conquista construída ao longo de décadas de luta por respeito e dignidade.
O orgulho também está em poder envelhecer ao lado de quem se ama. Em construir uma família, seja ela formada por laços de sangue, adoção ou afeto. Em participar de uma festa da escola, de um almoço de domingo ou de uma comemoração de fim de ano sem sentir que é preciso esconder uma parte da própria história para ser aceito.
Talvez a maior conquista da população LGBT+ não seja ser vista como diferente, mas simplesmente como parte da sociedade. Pessoas que estudam, trabalham, cuidam da família, fazem planos, enfrentam desafios e desejam as mesmas coisas que qualquer outra: respeito, segurança, oportunidades e a liberdade de viver com autenticidade.
Ainda há muito a avançar. Nem todas as pessoas conseguem viver essas pequenas experiências sem medo. Muitos continuam enfrentando preconceito dentro da própria casa, no ambiente de trabalho, na escola ou nas ruas. É por isso que falar sobre respeito continua sendo necessário.
LEIA OUTROS ARTIGOS DE LUCAS ANZOLIN CLICANDO AQUI
Mas também é importante celebrar o que já foi conquistado. Celebrar o casal que pode construir uma vida juntos. A jovem que encontra apoio na família. O homem que já não precisa esconder quem ama. A mulher trans que finalmente é chamada pelo seu nome e reconhecida por quem é. Cada uma dessas histórias representa um passo em direção a uma sociedade mais humana.
No fim das contas, talvez o verdadeiro significado do orgulho seja este: viver sem precisar pedir desculpas por existir. Porque o amor não deveria ser um ato de coragem. O respeito não deveria ser um privilégio. E a felicidade, nas suas formas mais simples, deveria estar ao alcance de todas as pessoas.
É nas pequenas coisas que a liberdade se torna real. E talvez seja justamente nelas que o orgulho encontre seu significado mais bonito.(Foto: Anna Shvets/Pexels)

LUCAS ANZOLIN
Formado em Gestão de Recursos Humanos e pós-graduado em Saúde Mental, Psicoterapia, Gênero e Sexualidade. Atua há 10 anos como terapeuta, palestrante e instrutor de cursos voltados à saúde mental, práticas integrativas e complementares (PICS), autoconhecimento e bem-estar. Também é Assessor de políticas para LGBT em Jundiaí dentro do núcleo de Articulação de Direitos Humanos(Instagram: lucas_anzolin)
VEJA TAMBÉM
PUBLICIDADE LEGAL É NO JUNDIAÍ AGORA
ACESSE O FACEBOOK DO JUNDIAÍ AGORA: NOTÍCIAS, DIVERSÃO E PROMOÇÕES











