Na última terça-feira(25), a Associação e Organização Social de Apoio a Cannabis do Interior, Associação OSACI, foi surpreendida por uma invasão policial. A prisão de três pessoas racializadas responsáveis pelo processo da produção do óleo medicinal, é uma violência direta que escancara como a guerra às drogas, na verdade, é guerra contra pretos, pobres e periféricos. A OSACI nasceu em 1999, com projetos que unem Saúde, Educação e Cultura como eixos de uma mesma caminhada. Da roda de Capoeira aos debates sobre políticas públicas, da valorização da ancestralidade ao acesso à Cannabis medicinal, cada ação reafirma um compromisso permanente com a reparação histórica, a justiça social e a defesa da vida.
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BRASIL DE FATO E REVISTA FÓRUM REPERCUTEM INVASÃO POLICIAL
Regulamentada em 2005 na cidade de Itupeva, a OSACI nasceu da Capoeira e hoje, entre suas atividades, se tornou uma associação que promove o acesso responsável ao tratamento à base de Cannabis, sempre com acompanhamento profissional e respeito à legislação. Na OSACI, o acesso à Cannabis medicinal faz parte de um cuidado maior: as práticas integrativas e complementares em saúde, o acolhimento e a orientação para pacientes e famílias em cada etapa do processo. Nas palavras de Thiago, psicólogo da Associação, “a perda vai afetar centenas de famílias que vem recebendo tratamento de Alzheimer, dores crônicas e epilepsias refratárias, por exemplo”.
Mesmo sem oferecer resistência e cooperando a todo momento, a equipe da Associação foi levada pela polícia, transportados na parte de trás do camburão. Enquanto outros países avançam na construção de modelos regulatórios, o Brasil ainda vive um processo de disputa e criminalização de quem está na linha de frente do cuidado.
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Cuidado e acesso a tratamento não podem ser criminalizados! A demora em regulamentar é o que possibilita a perseguição! Mesmo com habeas corpus para o plantio e estando em processo de regularização desde 2023, o juiz, na audiência de custódia do dia 26, converteu as prisões em flagrante para prisões preventivas. A medicina ancestral vem sendo criminalizada pela legislação racista por toda a história. O habeas corpus das três pessoas que foram presas ainda estão ativos, o que torna a ação ainda mais absurda.(Foto: divulgação OSACI)

JULIANA OLIVEIRA
É advogada, orientadora social, alfabetizadora popular e presidente do Coletivo Japy, movimento social fundado em 2021 para atuação no território nas pautas socioambientais.
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