Outubro Rosa e os LGBT+: Responsabilidade de todos

outubro

Todos os anos, o Outubro Rosa nos convida a olhar com mais atenção para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama. Mais do que uma campanha, esse movimento é um chamado à vida, ao autocuidado e à responsabilidade coletiva com a saúde. Mas existe uma reflexão importante: a prevenção precisa alcançar todas as pessoas, respeitando suas identidades, suas histórias e suas realidades.

Quando falamos sobre câncer de mama, muitas vezes a conversa é direcionada quase exclusivamente às mulheres cisgênero, ou seja, mulheres que se identificam com o gênero que lhes foi atribuído ao nascer. No entanto, a saúde das mamas também é uma questão para homens trans, pessoas não binárias, além de mulheres trans, cujas necessidades de acompanhamento devem ser avaliadas individualmente, considerando fatores como histórico de saúde e uso de hormônios.

A prevenção não deve ser limitada por estereótipos sobre o que significa ser mulher, homem ou pertencer à comunidade LGBT+. O cuidado precisa considerar o corpo, as necessidades de cada pessoa e as orientações dos profissionais de saúde. E deve ocorrer sempre, não apenas no Outubro Rosa.

Infelizmente, algumas pessoas LGBT+ ainda enfrentam constrangimento, discriminação ou medo de procurar atendimento. O receio de não serem respeitadas pelo nome, pela identidade de gênero ou pela orientação sexual pode afastá-las dos serviços de saúde. Isso nos mostra que não basta oferecer atendimento: é necessário construir ambientes acolhedores, preparados e livres de preconceito.

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Também é fundamental lembrar que a prevenção não se resume a uma única prática. Conhecer o próprio corpo, observar alterações, buscar avaliação diante de sinais suspeitos e manter acompanhamento de saúde conforme as recomendações profissionais são atitudes importantes. A necessidade e a frequência dos exames devem ser definidas considerando a idade, o histórico familiar, os fatores de risco e as características individuais de cada pessoa.

O Outubro Rosa também nos convida a falar sobre amor. Amor por nós mesmos, pelas pessoas que caminham ao nosso lado e pela vida que ainda queremos viver. Cuidar da saúde é reconhecer que nossos sonhos, nossos afetos, nossos projetos e nossa existência merecem atenção.

A responsabilidade é de todos nós: profissionais de saúde, gestores públicos, famílias e sociedade. Precisamos ampliar a informação, combater o preconceito e garantir que as campanhas de prevenção cheguem a todas as pessoas.(Foto: Cottonbro Studio/Pexels)

LUCAS ANZOLIN

Formado em Gestão de Recursos Humanos e pós-graduado em Saúde Mental, Psicoterapia, Gênero e Sexualidade. Atua há 10 anos como terapeuta, palestrante e instrutor de cursos voltados à saúde mental, práticas integrativas e complementares (PICS), autoconhecimento e bem-estar. Também é Assessor de políticas para LGBT em Jundiaí dentro do núcleo de Articulação de Direitos Humanos(Instagram: lucas_anzolin)

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