O mercado de trabalho brasileiro vive um momento curioso, de um lado, empresas relatam dificuldade para contratar, e de outro, profissionais com 20, 25 ou 30 anos de experiência encontram barreiras para se recolocar, especialmente a partir dos 40 anos. Os números ajudam a revelar esse paradoxo: segundo o IBGE, a taxa de desocupação chegou a 5,3% no trimestre encerrado em julho de 2026, enquanto o país alcançou 103,3 milhões de pessoas ocupadas. Já a pesquisa do ManpowerGroup aponta que 80% dos empregadores brasileiros têm dificuldade para encontrar os profissionais de que precisam.
Se há trabalho e faltam profissionais, por que tantos profissionais experientes continuam enfrentando dificuldades para chegar sequer à entrevista? Uma parte dessa resposta passa pelo etarismo. Ainda existem processos seletivos em que idade pode funcionar como um filtro, muitas vezes sustentado por ideias preconcebidas de que profissionais mais maduros têm dificuldade para acompanhar tecnologia, mudanças ou novos modelos de trabalho.
Porém reduzir este paradoxo ao preconceito também seria simplificar demais. O mercado mudou e a estratégia de carreira precisa mudar junto. O profissional 40+ traz repertório, conhecimento de negócios, capacidade de decisão e vivências que não se constroem em poucos anos, mas experiência, sozinha, não garante empregabilidade.
Na chamada Economia 4.0, é preciso combinar repertório com atualização, tecnologia, inteligência artificial, inteligência emocional e coletiva, capacidade de aprender e disposição para rever antigas formas de fazer. Não se trata de competir com profissionais mais jovens, mas de mostrar por que a experiência acumulada continua relevante para os desafios atuais.
É nesse ponto que entra uma questão pouco discutida: a carreira também precisa ser administrada antes da necessidade de recolocação. Envolve networking, posicionamento, presença no LinkedIn, relacionamento com recrutadores e headhunters, aproximação com empresas e, principalmente, clareza sobre o valor que o profissional entrega.
A pergunta que todos devem fazer é “quais problemas eu sei resolver e onde esse conhecimento pode gerar valor?”. Essa mudança é especialmente importante para profissionais mais experientes porque, em processos com centenas de candidatos, o currículo pode não conseguir contar toda uma trajetória. É preciso posicionamento!!!
Isso significa deixar claro quem você é profissionalmente, quais problemas resolve, quais resultados já entregou e por que sua experiência faz sentido para o mercado de hoje. Também existe um movimento que merece atenção: o autoetarismo. É quando o próprio profissional começa a acreditar que está velho demais para aprender uma nova tecnologia, mudar de área, ocupar determinado espaço ou começar novamente.
Combater o etarismo significa não permitir que a idade se transforme em uma sentença sobre o futuro profissional. Aos 40, 50 ou 60 anos, a estratégia precise ser diferente. Pode envolver uma nova posição executiva, uma especialização, consultoria, projetos, empreendedorismo ou uma carreira de portfólio.
Não existe uma única resposta para compreender este paradoxo! O que existe é uma necessidade cada vez maior de assumir a própria trajetória. Como discutem profissionais que estudam carreira e pós-carreira, como Adilson Mirante, a longevidade profissional exige planejamento. E como provoca Luciano Santos em seus trabalhos sobre carreira, esperar que a empresa seja a única responsável pelo próximo passo é uma estratégia cada vez mais frágil.
A responsabilidade, entretanto, não é apenas do profissional Empresas também precisam estar atentas a este paradoxo e rever os critérios de seleção e reconhecer que diversidade etária pode trazer repertório, maturidade e diferentes perspectivas para os negócios.

DANY MORAES
Consultora de Projetos de Recursos Humanos e Educação Corporativa. Atua na área de Gente & Gestão há 20 anos, com especializações em Felicidade e Qualidade de Vida no Trabalho, Inteligência Emocional e Líder Coach. Contatos: E-mail: [email protected]. Instagram: @soudanymoraes. LinkedIn: daniela-moraes-marques.WhatsApp: 11 982659384. Acesse também: @sejaexpandente(Foto ao lado: Tris Nogueira – Foto principal: Vlada Karpovich/Pexels)
SAIBA MAIS SOBRE GENTE & GESTÃO
Gente e Gestão é uma expressão que se refere ao conjunto de práticas, políticas e processos relacionados à gestão de pessoas dentro de uma organização, engloba todas as atividades e estratégias voltadas para o desenvolvimento, motivação, engajamento e bem-estar dos colaboradores de uma empresa.
Isso inclui recrutamento, seleção, treinamento, desenvolvimento de carreira, avaliação de desempenho, remuneração, benefícios, comunicação interna, cultura organizacional, entre outros aspectos que impactam diretamente o capital humano e o ambiente de trabalho.
A expressão Gente e Gestão enfatiza a importância das pessoas como um dos principais ativos de uma organização e reconhece que uma gestão eficaz dos recursos humanos é fundamental para o sucesso e sustentabilidade do negócio.
E também ressalta a necessidade de uma abordagem humanizada e centrada nas pessoas na condução das atividades relacionadas à gestão de talentos dentro da empresa e a produtividade sustentável.
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