RACISMO DIGITAL lucrativo

racismo

A convivência no ambiente virtual pode ser tão perigosa e ameaçadora quanto no mundo real. Nas redes sociais, crimes como o discurso de ódio e a propagação do racismo tornaram-se cada vez mais frequentes e visíveis, impulsionados pela velocidade da informação e pela fragilidade dos mecanismos de controle. O chamado cyber racismo, fomentado pela tecnologia, reproduz e atualiza manifestações contemporâneas do racismo estrutural.

No contexto digital, a chibata é virtual. A violência discriminatória on-line não é “menor” do que a violência física: seus efeitos são gravíssimos, profundos e atingem de forma direta a população negra, ampliando estigmas e reforçando desigualdades históricas.

A indústria do ódio cresce em larga escala no ambiente digital. A propagação de conteúdos racistas não ocorre de forma aleatória, mas estratégica. As curtidas, compartilhamentos e visualizações transformam a violência racial em produto rentável, alimentando sistemas de monetização baseados em algoritmos que priorizam engajamento, ainda que à custa da violação de direitos fundamentais.

Nesse cenário, o lucro se sobrepõe à responsabilidade social corporativa. A lógica das plataformas digitais favorece conteúdos extremos e ofensivos, pois mantêm o público conectado e geram retorno financeiro. Assim, o racismo deixa de ser apenas uma prática discriminatória para se tornar um mecanismo econômico dentro da dinâmica digital.

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Com frequência, discute-se a eficácia das leis de combate ao racismo. Embora o Brasil disponha de um conjunto robusto de normas que criminalizam essas condutas, a aplicação no ambiente virtual ainda é limitada. A dificuldade de responsabilização, o anonimato e a lentidão das respostas institucionais contribuem para a sensação de impunidade.

Enquanto o racismo digital continuar gerando engajamento e lucro, ele seguirá encontrando espaço para se expandir. Combatê-lo exige mais do que leis formalmente instituídas: demanda responsabilização efetiva das plataformas, transparência nos processos de monetização e compromisso ético com a proteção dos direitos humanos. Caso contrário, a tecnologia continuará atualizando velhas práticas de exclusão, transformando o ódio em negócio e a discriminação em entretenimento.(Foto: Nicola Barts /Pexels)

ROSEMARY DA SILVA

Conferencista Nacional na Promoção  de  Políticas Públicas Étnico-Raciais. Formada em Direito pela Unianchieta, atua na Educação Infantil com o Projeto Igualdade Racial Nas Escolas. Escritora premiada na categoria  literatura infantil com o livro “Os Olhos Azuis Do Menino de Bantu”. Acompanhe seu trabalho pelo Instagram @rosemaryda96.

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