O ex-jogador de vôlei Rogério Ferreira da Silva, o Rogerião, está no mesmo patamar de Marcel, do basquete, também nascido em Jundiaí. Ambos escreveram os nomes na história do esporte mundial. A prateleira de troféus e medalhas dele fala por si só. Ponteiro passador com 1,99 de altura, ele começou no esporte ainda menino, com 13 anos, no Sesi, em Jundiaí. Jogou em todos os cantos do mundo e defendeu a seleção brasileira. Atuou pelo Banespa; Lupo Náutico Araraquara; Ulbra Canoas(RS); Palmeiras, SOS Computadores/São Caetano; Tchaco e San Juan, da Argentina. Títulos ele tem do Campeonato Mundial sub-19(Portugal), Campeonato Mundial sub21(Argentina) e Sul-Americano(Equador). Rogerião é tetracampeão paulista, campeão sul-americano adulto, bicampeão da Copa do Brasil, campeão gaúcho, vice-campeão no Tour da França, campeão argentino, campeão da Copa Sony(Bélgica), 12 vezes campeão dos Jogos Abertos, campeão do Torneio Regional em Jundiaí pelo Uirapuru e campeão pela equipe da Cacau Show, no Sampa Open. Hoje, aos 51 anos, Rogerião dá aulas de vôlei. O Jundiaí Agora o entrevistou:

Você mora em Jundiaí?
Sim. Morei muito tempo fora. Eu formei em Educação Física na Faculdade de Vinhedo. Trabalhei em São Paulo por 15 anos. Lá participei de um projeto de iniciação numa escola particular, na Zona Leste. Começamos o trabalho do zero e chegamos a quase 200 alunos. Jogávamos campeonatos da Prefeitura, Sesc, torneios dos Centros Unificados de Educação(CEUS). Era um projeto extracurricular muito legal. Agora voltei a morar em Jundiaí…

Rogerião, você foi descoberto no vôlei ainda estudante do Sesi. Conte um pouco sobre como foi revelado..
Eu estudei no Sesi. Minha mãe era professora da unidade da Ponte São João, onde trabalhou por quase 40 anos. Ela dava aula de todas disciplinas para a quarta série. Eu tinha bolsa no Sesão, onde estudei da primeira à sétima série. Eu gostava muito de praticar esportes, educação física, então eu jogava. Na época gostava muito de basquete, fazia atletismo, jogava o minivôlei, ainda no Sesão. Passei a jogar alguns torneios pela escola. Fui crescendo na modalidade. Até que joguei por um time adulto da cidade. Enfrentamos o Banespa, uma equipe que gostava muito de assistir pela televisão, na TV Cultura. Depois, fui assistir a um jogo da base do Banespa contra um time adulto, em São Paulo. Os garotos ganharam jogando de forma ousada. O técnico do Banespa, o Branco, me chamou para conversar. Ele sabia que eu estava me destacando em Jundiaí e me convidou. No primeiro ano, eu pegava o Cometa para eu treinar. Meu pai ia comigo.
Você gostava de jogar vôlei nesta época? Imaginava que poderia jogar pela seleção?
Se eu gostava de jogar? Gostava! Nossa, eu adorava esportes. Também fazia polo aquático no Clube Jundiaiense. Eu era goleiro. O treinador era o Ernesto. Ele falava que eu tinha muito potencial por causa da minha altura. Quando cheguei ao Banespa, com 13 anos, já tenha 1,89, 1,90. No polo, a gente tinha muitos exercícios e eu percebi que era uma boa combinação para o vôlei. Também joguei basquete na Esportiva e treinei judô. No Banespa, treinava duas, três vezes por semana. As coisas foram acontecendo, perceberam que poderiam investir em mim já que era diferente. Eu me dedicava não só ao vôlei. Eu estudava, era um garoto de família, educado, disciplinado e que gostava de treinar. O Banespa revelava muitos atletas que foram para a seleção, disputaram mundiais e até olimpíadas. Eu não sabia até onde podia chegar. Mas gostava de jogar vôlei. Eu era focado e percebi que queria ser um bom profissional. Aqueles anos foram maravilhosos.

Quando se deu conta que o vôlei seria sua profissão e que poderia defender a seleção brasileira, Rogerião?
Então, para chegar na seleção brasileira, você tem que ser um atleta realmente diferente, que faz mais do que é pedido nos treinamentos. Para defender a seleção é preciso estar numa equipe federada. Daí, é preciso se destacar. Eu estava no Banespa e fui me projetando, conquistando títulos pelo infantojuvenil. É uma escalada: você passa do infanto para o juvenil, depois vem o adulto. Precisa se destacar no Campeonato Paulista. Depois, no Campeonato Brasileiro. Aí vem a seleção, que é um sonho. A partir daí vêm os campeonatos internacionais.
São quantos anos neste esporte?
Olha, são 37 anos ao todo. Destes, 24 jogando profissionalmente em alto nível. Depois que fechei o ciclo, quando o clube acabou por falta de investimentos, fiz cursos de massoterapia e auxiliar de enfermagem. Eu cuidava da minha avó também. Mas vi que não era minha praia. Eu queria um ambiente mais alegre, divertido. Eu queria passar o conhecimento que tenho no vôlei. Continuei jogando no master e fui contratado para jogar algumas equipes interior que investiam no esporte, como Marília e Tupã. Fiz uma especialização e tirei o Crefe de Educação Física.

Rogerião, quais as vitórias que mais marcaram você?
Rapaz, eu acho que todas. Todas foram importantes. Cada uma teve seu significado na época, né? Mas uma, assim, que marcou muito foi o meu primeiro título mundial no infantojuvenil, em Portugal, em cima da antiga União Soviética. Ganhamos 3 a 1 deles. O adversário era o grande favorito. Para enfrentar a União Soviética, ganhamos da Bulgária, Japão, Coreia, Checoslováquia. Cruzamos também com os times da Argentina e Cuba. Eu e o Nalbert fomos destaques. Essa vitória me marcou muito. Ganhamos bolsas para estudar na UCLA, nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, o Banespa me deu a oportunidade de jogar no adulto. Joguei as duas categorias ao mesmo tempo. No infantojuvenil fui campeão. Também tive destaque no Campeonato Mundial. Enfrentamos a Itália na final. Também jogamos torneios na Europa. No decorrer da carreira ganhei muitos títulos. Acho que valeu a pena…
Você jogou contra grandes nomes. Quais os melhores atletas que enfrentou ou jogou junto?
Joguei com os melhores do país. Joguei com o Janelson, com o Montanaro, que são campeões, né? O Montanaro é da geração de prata em Los Angeles! Também joguei com o Maurício, campeão olímpico em 1992, em Barcelona. Tem muita gente boa. Joguei com o Giba e o Ricardinho, dois caras sensacionais. Tenho amizade com todos.

Rogerião, qual o melhor técnico com quem trabalhou?
O melhor técnico pra mim foi o Marcos Miranda, auxiliar do Zé Roberto. Ele é uma pessoa fantástica. Evolui muito no Palmeiras. Todos técnicos tiveram importância na minha carreira. Porém, o Marcos, além de ser treinador, era um grande amigo também, ele era um cara que conversava dos bastidores, era um pai. Tem também o Branco, o Luizinho, o Marques, Tabach, o Cebola e o Ismael, que melhorou muito o passe do Giovani e do Janelson.

Em quantos países atuou no total? Como foi a experiência de jogar no exterior?
Conheci muitos lugares através de esporte: Itália; Portugal, que achei maravilhoso, Argentina; Espanha; Austrália; Japão; França; Bélgica; Cuba e Equador. A experiência de jogar fora do Brasil foi maravilhosa. Joguei contra as melhores equipes do mundo que tinham atletas espetaculares. Aí, quando você volta é diferente. Você tem bagagem, volta para liderar a sua equipe. Você acaba até servindo mais os companheiros. Os jogos com equipes de fora melhoram o nível técnico, tático e psicológico…
Conte detalhes do projeto de iniciação ao vôlei que você desenvolve…
Eu trabalho na franquia do Bernardinho, a EVB, que é uma escola de vôlei. Sou professor de seis equipes de iniciação. Quem tiver interesse em fazer aula particular, aulas específicas de vôlei, é só entrar em contato pelo @rogefsport.
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