Casada com um alemão, Pascal, Sandra Velozo Ernst(na foto ao lado fazendo trabalho voluntário numa plantação de uva) deixou o Brasil em 2016. Ela nasceu em Jundiaí e não esconde a saudade, principalmente da mãe. Mas não tem vontade de deixar a Alemanha. “Prefiro o frio, a segurança, educação e respeito”, explica.

Você nasceu em Jundiaí? 

Sim, eu nasci em Jundiaí e morei aí até março de 2016.

Qual é a sua profissão?

Sou gestora administrativa e financeira. Trabalhei como gerente administrativa, durante sete anos e meio em uma empresa de desenvolvimento, venda e integração de sistemas para o segmento de energia elétrica.

Onde estudou em Jundiaí? Onde morou?

Eu estudei na EE Rafael de Oliveira no Medeiros ensino Fundamental e ensino médio, depois fiz Magistério na escola Marcos Gasparian, e Graduação em Administração e Finanças na Faculdade Anhanguera e Pós-graduação MBA em Gestão Empresarial na Fundação Getúlio Vargas – FGV. Morei na Fazenda Ermida até os 6 anos, depois Medeiros e minha última residência foi no Jardim Carolina.

Como foi o período em que viveu aqui?

Foi uma época boa e ficaram boas recordações ,porque sempre gostei de morar perto do mato afastada do centro da cidade, e morar próximo da Serra do Japi tendo a varanda da minha casa para frente da Serra é tudo de bom. Tenho saudades de onde morava, da família e dos amigos.

Por que decidiu ir morar na Alemanha?

Antes de fazer um intercâmbio em Dublin, na eu vim conhecer meu marido na Alemanha, e desde de então, fiquei apaixonada por ele, pela cultura e organização do país. Porque se fosse pelo idioma jamais decidiria em vir morar aqui, a Alemanha me pegoupelo coração, mas não me pegasse pelo coração eu já estava decidida a não voltar a morar no Brasil e talvez ficasse morando em Dublin.

É fácil achar arroz e feijão na Alemanha?

Sim, é fácil encontrar arroz e feijão, mas aqui tem o feijão branco que não é tão saboroso quanto o feijão brasileiro, mas tive que me adaptar. Quanto ao feijão marrom do Brasil não encontramos no supermercado, somente em mercados brasileiros pela internet.

De muito longe, acha que o Brasil tem jeito?

O Brasil com tantas diversidades naturais e culturais é um país com um grande potencial econômico vivendo uma grande crise econômica, como pode? Infelizmente, os recursos públicos do Brasil são mal administrados, porque com tanta arrecadação de impostos éramos para ter uma excelente educação, saúde e infraestrutura. O problema não é somente dos políticos corruptos e sim da população que vota neles, isto evidência a falta de união entre os brasileiros para escolha de bons políticos como para exigir medidas ao governo quanto a administração dos recursos financeiros.

Esta situação persiste porque muita gente só pensa no próprio umbigo, falta respeito com o ser humano, com os animais, falta respeito com o espaço do próximo e o principal falta educação que seria o pilar de tudo para o progresso de uma nação.

Bom com tantos escândalos políticos e a desunião dos brasileiros fica cada vez mais difícil responder. Eu diria que para o Brasil ter jeito resume em uma única palavra: educação, porque comum povo instruído e educado é o caminho para se conquistar todas as outras coisas que precisamos saúde, segurança, infraestrutura, investimento em tecnologia e até mesmo saber exigir do governo a administração correta dos recursos financeiros do país.

O que seu marido acha do Brasil e de Jundiaí?

Ele gosta. Mas não do calor excessivo. Pascal disse que não gostaria de morar em Jundiaí. Ele não gosta de tráfego pesado como o nosso. Prefere área tranquila, como o bairro do Medeiros, que é tão quieto como a aldeia onde vivemos na Alemanha. Ele não sabia muito sobre o Brasil até agora. Conhece Jundiaí, Guarujá e Campinas.

E Jundiaí? Está progredindo pelo que observa pelos sites?

Eu acho que Jundiaí tem progredido com investimentos desde o Parque da Cidade, Jardim Botânico, e seguindo com construções de outros parques pelos bairros,a vinda do SESC, tudo isto, tem proporcionado melhora na qualidade de vida dos jundiaienses e moradores. Em 2017 presenciei a construção do novo viaduto das Valquírias ligação Bairro do Retiro-Anhanguera-Centro que irá desafogar o trânsito na entrada e saída do trevo de Jundiaí e beneficiará outros bairros também. Eu diria que isto é progresso.

Aliás, você vem com frequência à cidade?

Uma vez por ano.

Como se sente quando chega aqui?

Eu sinto uma felicidade imensa por pode ver minha mãe, família e amigos. E ao mesmo tempo sinto um aperto no coração e tristeza por ver tantas empresas e lojas fechando as portas, ou reduzindo de tamanho, sem contar no preço alto da alimentação e combustível e a grande falta de respeito no trânsito. (Foto acima: Parque da Cidade/Jundiaí)

Um dia pretende voltar para o Brasil? Para Jundiaí?

Sinceramente, eu não tenho vontade de voltar a morar no Brasil, somente visitar. Prefiro viver em um ambiente mais frio com segurança, educação, organização, respeito: ao ser humano, aos animais e especialmente respeito no trânsito.

Eles são sisudos, mal-humorados ou é só impressão?

Eu diria que os alemães são na deles, não invadem o espaço do outro, respeito muito grande pelo próximo e pelo espaço dos outros. Talvez isto, passe a impressão de serem sisudos e mal-humorados, mas aqui no interior da Alemanha onde vivo, eles são muito bem-humorados. Imagine: no país da cerveja, com uma caneca de chopp de um litro, seria até irônico eles serem mal-humorado. Acho que o idioma não ajuda muito a transmitir isto…(risos).

E como é seu relacionamento com outros imigrantes. A Alemanha (ao contrário de outros países da Europa) recebe gente de todo mundo. É uma convivência harmoniosa?

Meu relacionamento com os outros imigrantes é harmonioso e ao mesmo tempo limitado a escola e trabalho. A Alemanha recebe gente de todo mundo, mas elas não são tão amigáveis como os brasileiros. São na deles também. Na escola, eu conversava com todo mundo, mas mantive contato mesmo somente com duas amigas uma do Vietnã e outra da Tailândia.

Como é quando você diz que é brasileira? Há curiosidade deles de saber qual é sua cidade natal e como ela é?

Eles ficam surpresos, curiosos e querem me conhecer. Sim, eles têm interessem em saber onde eu morava no Brasil e como é a minha cidade, e meu país.

Já falou sobre a Serra do Japi para eles?

Sim, a reação é positiva e de surpresa, porque eles preservam muito o ambiente natural, as estradas aqui e nos alpes alemães são todas estreitas e não tem acostamento, eles são muitos sérios quanto a preservação da natureza.

Aí na Alemanha tem alguma coisa, por mais boba que seja, que faz você lembrar de Jundiaí?

Sim, pequenos alpes com muitas árvores que me faz lembrar da Serra do Japi e as plantações de uva e de morango, que não dá para esquecer a Jundiaí a terra da uva e do morango.

Sentiu dificuldade para se adaptar?

Eu acho que todo recomeço é difícil, mas com o tempo eu fui me adaptando e me sentindo inserida na sociedade alemã.

O que foi pior: o frio ou o idioma? 

Com certeza o idioma, a pronuncia, a gramática, escrita e os dialéticos são muito difíceis, mas cada dia vamos aprendendo mais, vencendo os desafios do idioma e melhorando nossa comunicação, mas sabendo falar inglês ajuda muito quando não se lembra todas as palavras em alemão.

Outra coisa pior é ficar longe da minha mãezinha querida, saudades é intensa, ainda bem que temos meios eletrônicos de comunicação a vídeo, mas tenho que seguir em frente com a minha nova vida do lado do meu marido e com minha outra família alemã.

Os alemães acompanham as notícias do Brasil ou não passamos de um país de segundo plano para eles?

Eu diria que os alemães são antenados, porque eles acompanham as notícias no jornal todos os dias, notícias locais e mundiais, ao qual o Brasil está inserido com seus escândalos políticos de grande corrupção. Eles têm muito respeito com os seres humanos, respeito e solidariedade pela situação dos outros países de terceiro mundo ou menos favorecidos pela má administração dos recursos públicos.

O que deveríamos aprender com os alemães?

Nós temos muitas coisas positivas para aprender com os alemães. Os brasileiros têm que aprender a respeitar o espaço dos outros, respeitar o ser humano, os animais, mais humildade, mais simplicidade, menos extravagância, disciplina, objetividade, mas isto se resume em uma palavra somente educação.

Aqui é o país da organização temos muito que aprender com os alemães como um trânsito possível entre carros, caminhões e bicicletas. Ter estacionamento para bicicletas nas estações de ônibus e nas estações de trem. Os cachorros podem andar com seus donos no ônibus e trem. No trem tem um compartimento para sua bicicleta. No transporte público quem deseja embarcar deve aprender (respeitar) a esperar as pessoas que desejam descer do transporte primeiro para depois embarcar. Eles utilizam muito o meio de transporte público de uma cidade para outra andando de bicicletas nas vias próprias para elas deixando seus veículos na garagem. Os alemães não perdem tempo em filas nas lojas e supermercado, porque aqui os caixas são supereficientes, eles são educados a pesar frutas e legumes como a trazer sacolas para embalar suas próprias compras. O sistema de utilização do carrinho de supermercado funciona com utilização de uma moeda de 0,50 ou 1 Euro para liberar o uso e depois que retorná-lo no lugar a moeda é devolvida. Os alemães são responsáveis sobre o destino do seu lixo separando por categorias: papel, lixo orgânico, lixo geral, vidro, (branco, verde e marrom), metais, além, de existir lixeiras especiais para roupas e calçados, existem regras específica para outros materiais como móveis e outros item, nem tente fazer diferente, porque com certeza ganhará uma multa.

Temos algo para ensinar para eles?

Acho que a facilidade de se relacionar com as pessoas os brasileiros tirão de letra, simpatia e a culinária brasileira de um país Tropical.

 

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Qual foi o seu maior mico na Alemanha?

Bom foram tantos micos que vou ter que pedir ajuda do meu marido para saber qual foi o pior….rs. Ele diz que o pior foi pronunciar a palavra “sobremesa” em alemão, pois tenho dificuldade de pronunciar Nachtisch e pronuncio Nachtschiss que tem outro significado: “merda da noite”.

Convive com outros brasileiros? Há mais jundiaienses por perto?

Eu não convivo com outros brasileiros aqui, porque moro no interior da Alemanha onde não tem muitos brasileiros. Eu já recebi visita em minha casa de uma vizinha brasileira e tive contatos com donos de um restaurante brasileiro, mas convivência diária eu não tenho. Eu não tenho informação da existência de mais jundiaienses por perto.