Na noite do dia 28 de agosto e por todo dia 29, Jundiaí vivenciou mais um episódio de incêndio de grandes proporções em área de pastagem e atingindo parte de floresta nativa, floresta de borda, da Serra do Japi. Se não fosse a mobilização de diversas equipes, voluntárias e institucionais, o cenário seria muito pior, mas mesmo assim tivemos cerca de mais de 200 campos de futebol queimados. Mais uma vez. E quais são as medidas que Jundiaí vem adotando?
Não temos comitê contra incêndios em atividade em nossa cidade, debatendo efetivamente formas de prevenções, por exemplo. Não temos seriedade ao tratar do colapso climático que estamos vivenciando. A resposta de Jundiaí ainda é a maquiagem de uma cidade dita sustentável, mas que na prática, seus representantes cometem abertamente racismo ao tratar indígenas, como foi a situação vergonhosa na Câmara e suas posteriores falas em sessão ordinária seguinte ao ocorrido. E ainda deram publicidade em suas redes sociais a essas mesmas falas, sem qualquer reflexão.
Ou mesmo um prefeito que no período de campanha assinou a carta compromisso do Coletivo Japy, enalteceu o trabalho deste movimento social, mas que a partir de sua eleição, além de não cumprir com os compromissos assumidos, ainda atuou e atua contra os mesmos. Seja por inércia ou por ação direta. Como estes fatos se conectam? Parecem assuntos diversos, jogados, desconexos entre si. O que precisamos, enquanto sociedade, entender é que a natureza desconhece limites territoriais institucionais, criados por leis de uma única espécie animal, por regras apenas nossas.
O que as lideranças da TI Jaraguá, indígenas do povo guarani, defendem como o Corredor Verde Guarani, que seu território faz parte, entendemos que se estende até a Serra do Japi. Este riquíssimo e de suma importância remanescente de Mata Atlântica, em que vivem diversas formas de vida, se une com a TI Jaraguá através deste corredor verde, passando por diversos municípios, territórios, povos, protegendo o Estado de São Paulo de um colapso ainda maior.
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A luta pela Serra do Japi não é do povo jundiaiense, é de todos estes povos e de todas as pessoas que lutam contra este cenário de morte. É corredor verde ou corredor da morte. Entre Bandeirantes e Anhanguera, seria essa a forma atualizada da colonização e opressão dos povos?
Sendo esta uma luta integrada, junta, a quem serve a divisão? Fiquemos atentos, pois como um dos povos deste território, sofreremos as consequências tanto da inércia quanto do lucro de poucos em detrimento da vida de muitos. Querem nos dividir e continuaremos lutando pela união.(foto: Letícia Pereira/Coletivo Japy)

JULIANA OLIVEIRA
É advogada, orientadora social, alfabetizadora popular e presidente do Coletivo Japy, movimento social fundado em 2021 para atuação no território nas pautas socioambientais.
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