Jundiaienses voltam 40 anos no tempo e vão passear nos supermercados

No final de semana passado, a fiscalização da Prefeitura rodou a cidade toda por causa dos hipermercados. Devido ao isolamento, estes estabelecimentos não poderiam receber multidões nem vender produtos de primeira necessidade. Mas estavam. O gestor de Governo e Finanças ilustrou a situação com uma frase exata: “os supermercados se tornaram shoppings. As pessoas estão indo neles para passear”. E pensar que nos anos 1970 era exatamente isto que acontecia. O coronavírus fez o jundiaiense voltar 40 anos no tempo.

Naquela época, Jundiaí contava com muitas mercearias nos bairros. Natal Ferragut e seus filhos estavam na Vila Rio Branco; os irmãos Boa, na Vila Hortolândia; os irmãos Russi, na Vila Arens; a família de Benedito Elias, na Vila Rami. Anos antes, os Marchiori montaram seu comércio no centro. Estas famílias, com muito trabalho, forneciam o pão de cada dia. Mas passaram a sofrer uma grande concorrência. A cidade começou a ganhar os supermercados.

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No início daquela década inauguraram na cidade dois grandes supermercados: o Jumbo e a Eletroradiobras, que na época eram concorrentes. Um tinha o elefante como símbolo. O outro, uma baleia. Os logotipos mostravam para a população a grandeza destes estabelecimentos. O Jumbo ficava na rua Coronel Boaventura Mendes Pereira(foto principal). A Eletro, na rua XV de Novembro(fotos abaixo).

A novidade virou um sucesso imediato. Jumbo e Eletro eram os shopping centers da época. Eles vendiam muito mais produtos do que as mercearias e mercados, dando a liberdade do cliente se servir, buscar, analisar com os olhos e com as mãos o que estava comprando.

Tinham de tudo: discos de vinil, fitas cassete e compactos dos maiores sucessos na época. Vendiam roupas modernas, brinquedos, eletrodomésticos, bicicletas. E na hora da fome, tinham até lanchonete que servia um inédito lanche no prato e depois um sorvete Banana Split.

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Os corredores eram largos e bem iluminados. Casais, jovens e adolescentes marcavam encontros nos supermercados que eram opção de compras e também de lazer. Saudade de uma época que tínhamos que esperar impacientes nossos pais fazerem a despesa para depois degustarmos nossas guloseimas.

Ir às compras no mercado não era como hoje uma incumbência repetitiva, cansativa e desgastante, talvez pela responsabilidade que não tínhamos naquela época, mas também por não existir o consumismo desenfreado de hoje.

Posso até estar enganado. Mas naquela época as pessoas eram menos tensas. Os sorrisos eram mais frequentes. Havia mais gratidão nos olhos e nos gestos dos comerciantes e comerciários, mais empatia, respeito e amor pelas pessoas.(Texto base: professor Maurício Ferreira)

Mercearias e mercados de bairros sobreviveram por um bom tempo…

Mercearia de Pedro Zeni, na Rua Barão do Rio Branco, Vila Arens (Arquivo Afonso Zeni)
Supermercado Elias, na rua Bom Jesus de Pirapora( Arquivo Wilson Antônio)
Tonoli: ficava no centro da cidade, bem na frente da rodoviária