TARCÍSIO, o grande orador, morreu há um ano

tarcísio

O advogado criminalista Tarcísio Germano de Lemos morreu no final da tarde do dia 17 de outubro do ano passado. Ele tinha 95 anos, foi sepultado no cemitério Nossa Senhora do Desterro. Tarcísio tinha cinco filhos. Tarcísio que atuou em centenas de julgamentos no Fórum local(foto abaixo) e também de outras cidades, era admirado pelos colegas por ser um grande orador.

Além do Direito, Tarcísio foi político também. Em 1956, ele concorreu à Câmara Municipal de Jundiaí pelo PTN(Partido Trabalhista Nacional). Foi eleito suplente e assumiu o mandado algumas vezes. Em 1960, foi eleito vereador pelo PDC (Partido Democrata Cristão) com 666 votos. Na eleição seguinte, em 1965, pelo PSD, conseguiu apenas 416 e foi suplente novamente.

Quatro anos depois foi o vice de Walmor Barbosa Martins na disputa pela Prefeitura de Jundiaí(foto acima). Eles assumiram em 1969. Ele também ocupou o cargo de secretário de Educação na ocasião. Com 2.053 votos, em 1977(foto ao lado), foi eleito vereador pelo MDB. Na eleição seguinte concorreu pelo PTB. Presidiu a Câmara Municipal entre 1985 e 1986.

No segundo mandato de Walmor, entre 1990 e 1992, Tarcísio comandou a Guarda Municipal. O advogado presidiu a 33ª Subseção da OAB em Jundiaí. Foi presidente da Região da Grande Jundiaí; presidente do Clube dos Estados; presidente da Federação dos Centros Acadêmicos e Escolas Católicas Superiores do Brasil.

Recebeu as seguintes comendas: Benito Juarez, Pero Vaz de Caminha, José Bonifácio de Andrada e Silva, Presidente Stroessner, e Marechal Rondon. Além dessas homenagens, foi agraciado com o título de Cidadão Honorário de Trenton – EUA (cidade-irmã de Jundiaí). Da Câmara Municipal de Jundiaí recebeu os títulos honoríficos de Cidadão Jundiaiense, Medalha Petronilha Antunes e Vereador Honorário.

No dia 1º de abril de 2021, Tarcísio contou ao Jundiaí Agora como o golpe militar de 1964 repercutiu na cidade e na carreira política dele. Um ano antes, ele tinha se candidatado a vereador e não se elegeu por apenas um voto. Tornou-se suplente. Depois do golpe, Tarcísio – que também tinha sido suplente entre 1956 a 1959 e vereador nos quatro anos seguintes – foi avisado que iria assumir o cargo de vereador. Mesmo sem a aprovação dos eleitores, ele se tornou parlamentar entre 1964 e 1969.

“Conto esta história no livro “Eu e Petronilha”. Eu havia disputado a eleição no ano anterior e perdi por um voto. Na tarde de 31 de março cheguei em casa por volta das 17h30 e ali se encontrava viatura militar. Não achei o fato estranho. Morava na rua Major Sucupira, em frente ao quartel da antiga Ciacom(Companhia de Comunicação, hoje um estacionamento), que ficava na rua do Rosário(foto abaixo). Um oficial desceu com soldados armados, com as baioneta caladas. Perguntaram se eu era o doutor Tarcísio. Respondi que sim e disseram que eu deveria acompanhá-los por determinação do coronel comandante. Conversando com o oficial, expliquei que era suplente. Ele perguntou de quem eu era suplente na bancada do PSD. Respondi que era Luiz Polli, na época era representante de Itupeva, bairro de Jundiaí, que no ano seguinte se emanciparia. Polli iria se candidatar a prefeito de Itupeva. Os militares disseram que se ele era candidato em Itupeva não poderia ser vereador, que contavam com a minha valiosa colaboração e eu iria assumir, o que acabou acontecendo”, lembrou Tarcísio.

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