TIRO no presidente

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O presidente eleito pelo Partido Republicano corre risco de vida. Ele é responsabilizado pela divisão do país e seu enfraquecimento interno e externo. A luta política americana afastou os parceiros internacionais que tiveram suas mercadorias taxadas. A defesa do governo é que os produtos fabricados internamente não têm condição de concorrer com os importados, melhores e mais baratos. Os estados vendedores de produtos agrícolas querem uma política econômica liberal com os mercados abertos para exportar, principalmente para a Europa, e importar produtos a um preço mais barato. Essas divergências aprofundam a radicalização política e o Congresso Nacional não tem condições de resolver. A violência toma conta de parte do país e nem mesmo o presidente republicano – recentemente eleito – está fora de perigo. Pode sofrer um atentado, levar um tiro a qualquer momento. 

O Partido Republicano do presidente tem o apoio dos capitalistas do nordeste dos Estados Unidos. Eles investem pesadamente na construção do partido que defende o desenvolvimento industrial do país e, para isso, precisam que o governo mantenha uma política protecionista. Contudo, há reações de setores ligados ao agronegócio que tem como principal alvo exportar produtos agrícolas e matérias-primas. Em resumo, a nação não pode ter simultaneamente duas políticas aduaneiras. Uma protecionista, outra liberal. A luta pelo controle da presidência da República chega a uma verdadeira guerra de nomes, líderes e programas econômicos. A saída é conquistar a presidência e impor o programa de governo com o apoio da população. Até um debate entre candidatos é armado e a oposição apoia um dos senadores do sul dos Estados Unidos.

A guerra é inevitável. O país está em frangalhos depois de quatro anos de guerra civil e quase 700 mil mortos. Finalmente o nordeste vence o sul rebelado e impede a divisão do país. O presidente republicano Abraham Lincoln se destaca como o líder da União apesar de ter esperado a eclosão do conflito para assinar o fim do trabalho escravo, esteio da maior parte dos estados Confederados. O presidente e sua família são ameaçados.

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Grupos de sulistas se juntam para matar toda a cúpula do governo: presidente, vice e secretário de Estado. A segurança não avalia corretamente as ameaças. Lincoln não resiste a um convite para um espetáculo teatral no Teatro Ford, em Washington. O camarote presidencial tem porta, mas não tem tranca. E o ator John Wilkes Booth sabe disso. Espera o fim do intervalo e entra no camarote sem ser percebido. Dá um tiro na nuca do presidente. No dia seguinte é declarada a morte de Lincoln. Booth é preso em uma localidade a cem quilômetros do teatro. É capturado e morre em um tiroteio com os seus captores.(Foto: Duong Quách/Pexels) 

HERÓDOTO BARBEIRO

Heródoto Barbeiro é jornalista do Record News, R7 e Nova Brasil (89.7), além de autor de vários livros de sucesso, tanto destinados ao ensino de História, como para as áreas de jornalismo, mídia training e budismo. Apresentou o Roda Viva da TV Cultura e o Jornal da CBN. Mestre em História pela USP e inscrito na OAB. Acompanhe-o por seu canal no YouTube “Por dentro da Máquina”

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