O TÚNEL DE BAMBUS, o medo, o cão peregrino e eu …

túnel de bambus

Olhei para o sol. Já devia ser umas 15h30. Ri e pensei: “vai dar tudo certo”. Um pouco mais adiante avistamos um túnel de bambus. Aquele sim deveria ser o tal do bambuzal que as mulheres que rezariam por nós tinham falado. O medo veio. Pelo lugar e também pela possibilidade de estarmos no caminho errado novamente. Não me lembrava de ter passado por este lugar na ida.

Não havia outra opção. Não era possível voltar. Tínhamos de seguir em frente. E a cada carro e moto que passavam eu sentia que os ocupantes olhavam a mim e para o cachorro de forma estranha. Eu me sentia uma suspeita. Isto sem contar o cão peregrino, o ‘Pê’. A cada barulho vindo do túnel de bambus, ele entreva em estado de alerta.

De repente, um carro branco passou e parou do nosso lado. Nele, um jovem casal curtindo um som. Eles perguntaram se eu queria uma carona. Na minha mente, a vontade era dizer que sim. Mas da minha boca saiu um “não, obrigada”. Em seguida perguntei se o Ribeirão Grande estava muito longe. O casal respondeu com um ‘depende’. “De carro é perto. A pé, você esta distante ainda”.

Fiquei feliz com a resposta. Era a prova de que eu e o cão peregrino seguiamos no caminho certo. Lembrei do olhar para o infinito daquela senhora, que junto com as outras três, prometeram rezar por nós. O sol estava se pondo e o túnel de bambus parecia não ter fim. “Tomara que as quatro estejam rezando por nós, de joelhos. Já vai escurecer.”

Vencemos o túnel e vimos, no horizonte, chácaras bonitas. A alegria tomou lugar do medo. Antes de a rua acabar, à minha direita, vi uma casa que reconheci. Nela havia uma moça loira, que estava de costas. Não me contive e gritei: “Tati!!!”. A mulher se virou e eu continuei gritando o nome dela. Ao nos aproximarmos, ela abriu um sorriso, disse que estava preocupada e soltou um lindo “graças a Deus”. Ela prendeu os animais que corriam pela chácara deixando o Pê livre, leve e soltou.

Tati e o marido dela, o Jorge, receberam os peregrinos, fizeram um belo jantar. Tomamos banho. Dormi numa cama cheirosa. Foi a nossa primeira parada de muitas que viriam pela frente.

VALÉRIA GONÇALVES

É repórter-fotográfica e se descobriu peregrina em 2016

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