
Na última sessão da Câmara, terça-feira(30), os vereadores Rodrigo Albino e Madson Henrique criticaram a presença de crianças na parada LGBT+ de Jundiaí, no domingo passado(28), no Espaço Expressa, antigo Complexo Fepasa. Albino fez um paralelo entre a necessidade de combater a adultização que teria ocorrido durante o evento. “Lá tinha criança no meio de pessoas que fumavam maconha, que estavam peladas, com os peitos para fora. Ninguém vai falar nada sobre a adultização agora?”, questionou na tribuna. Madson repudiou publicamente a presença de crianças na parada, o que considera “inadmissível”. Ele convocou os vereadores conservadores a votarem projeto para proibir crianças em eventos realizados com dinheiro público, em espaços públicos onde há palavrões, xingamentos e desrespeito. O vereador não explicou se ele próprio apresentará a proposta. A presidente da ONG Movimento Aliados, Tiana Cauton(foto acima), refutou as acusações dos parlamentares. Ela, que foi a apresentadora da parada deste ano, chamou de ‘hipócritas’ as falas de Albino e Madson. Para a presidente, os dois não estão preocupados em proteger a infância. “Eles querem perpetuar o preconceito”. O Jundiaí Agora entrevistou Tiana:
O que você achou das declarações dos vereadores durante a sessão desta terça?
A presença de crianças na Parada LGBT+ é um direito garantido pela Constituição, que assegura a proteção de todas as famílias. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) também garante às crianças o direito de participar da vida cultural, desde que acompanhadas dos responsáveis. Atacar a participação de crianças nesse evento é negar direitos básicos e, mais que isso, uma tentativa hipócrita e seletiva de controlar como as famílias vivem e educam seus filhos. Crianças participam de inúmeras festas, eventos religiosos, rodeios, festas juninas e até atos políticos. Muitos destes eventos são marcados por exposição ao consumo de álcool, exploração comercial e violência simbólica. Portanto, o incômodo não está nas crianças em si, mas na existência visível da comunidade LGBT+ e nas várias formas de família.
Declarações deste tipo são comuns?
Não é a primeira vez que alguns vereadores extremistas tentam atacar as famílias. A Lei Municipal nº 9.876/22, que restringia o conceito de família, já foi considerada inconstitucional pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Esse histórico revela que o ataque à Parada LGBT+ não é sobre infância, mas sobre impor um modelo único de família e perpetuar a LGBTfobia. O discurso de ‘defesa das crianças’ usado por esses grupos não passa de uma cortina de fumaça. O que está realmente em jogo é a tentativa de criminalizar as infâncias LGBT+ e manter privilégios sob a falsa aparência de moralidade. Não se trata de proteger a infância, mas de perpetuar preconceito.
Qual a importância da participação de crianças num evento como este?
Muitas pessoas LGBT+ tiveram suas infâncias roubadas pelo preconceito. Garantir que crianças possam participar de espaços de diversidade e acolhimento é um gesto de reparação histórica mostrando que as novas gerações têm o direito de crescer em liberdade, respeito e afeto.
Amanhã, o JA publicará entrevista com Anna Clara Bueno, integrante da diretoria do Movimento Aliados. Ela falará sobre a acusação de uso de dinheiro público na Parada LGBT+ de Jundiaí deste ano.
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