VIDA que segue…

VIDA QUE SEGUE

Não pretendia continuar abordando o tema Copa do Mundo, mas diante da nossa desclassificação há alguns aspectos que se poderia insistir em observar. Perdemos para a Noruega que, agora está em todas as mídias, vem superando o desempenho do Brasil em quase todas as comparações, de saúde a educação, de civilidade a sustentabilidade. Podíamos ganhar pelo menos no futebol. Mas quando, logo no começo do jogo, o Bruno Guimarães tirou a bola das mãos do Vini Jr e disse: “deixa que eu bato o pênalti”. A vaca começou a ir para o brejo. Tomara que não faça falta no final argumentou o narrador. Fez. Todavia, para nosso desconforto, depois do desastre sempre se poderá ouvir dos envolvidos que “é vida que segue”. Será?

A imagem dos jogadores da Noruega andando com a bola sem ninguém tentar pressionar desde o começo do jogo era a antítese da marcação de outras seleções que não deixavam os adversários respirarem. O Brasil passivo observava uma troca de bola, pouco ameaçadora é verdade, aguardando uma oportunidade para acionar seu principal artilheiro o que conseguiram no fim do jogo. Nosso time assistiu os adversários jogarem. Como disseram os analistas: não tiveram protagonismo.

Talvez para os jogadores e comissão técnica que já podem ir passear com suas famílias e continuar recebendo seus vultuosos salários, mas para quem investiu em reforçar seus estoques comprando camisetas e bandeiras que, talvez, só serão vendidas daqui a quatro anos, ou para quem comprou patrocínio e ingressos que só poderão ser usados para ver outros times, ou, ainda, para quem viu a transmissão e o interesse pela Copa despencar a “vida que segue” pode ser bem amarga. O que vamos fazer com as roupas customizadas e os inúmeros enfeites para nossas casas?

É pouco provável que a saída precoce dos jogos da Copa possa ter um impacto negativo e generalizado. Alguns setores sentirão a queda nas vendas e nos negócios, entretanto para a imensa maioria dos brasileiros que se levantam diariamente para trabalhar nada vai mudar, exceto pela tristeza e a decepção. A vida que segue continuará sofrida. O sonho do hexa novamente adiado.

Esta Copa revelou que a paixão pelo futebol parece não ser só nossa, pois o mundo todo está vendo. Alguns desconhecidos, como o goleiro de Cabo Verde, o Vozinha, conseguiram mais seguidores do que muitos influenciadores famosos. Espero que o arquipélago de Cabo Verde esteja se preparando para a onda turística que desembarcará nas ilhas inevitavelmente. Apareceram torcidas inesperadas em países que nem sabemos exatamente onde ficam. Quem sabe com o Google Maps?

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De positivo não precisarmos mais ver as transmissões narradas aos berros nos obrigando a assistir os jogos sem som. Este é para mim um verdadeiro mistério: porque gritam tanto tentando passar uma imagem como se não a estivéssemos vendo? Acham que precisamos da emoção para “enxergar” o que está acontecendo. Na época do rádio até fazia sentido, mas em 4K com dezenas de câmeras e replays chega a ser ridículo. Então; é vida que segue.

FERNANDO LEME DO PRADO

É educador

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